Guia Completo de Viagem · Instagram: @luccaslopes
CHINA 2026
Tudo que você precisa saber antes de ir pra China — sem romantizar, sem enrolação.
⏱ Leitura completa: ~45 min
20
Dias de viagem
8
Cidades
18
Reels
32
Países visitados
11
Capítulos
00 — Antes de tudo
Por que esse guia existe — e por que é de graça

Já conheci 32 países e, de longe, a China foi o mais difícil. Comecei recentemente a compartilhar minhas experiências de viagem no Instagram e quero fazer isso de forma super sincera e transparente — sem romantizar, sem publi disfarçada de conteúdo.

Esse material foi feito com muito detalhe e carinho porque eu vi o quanto meus primeiros seguidores perceberam que posso contribuir com algo real. Não vivo do Instagram — pra mim é hobby — então não preciso cobrar por isso. Quero que chegue no maior número de pessoas possível. Se te ajudar, compartilha e me dê um feedback no vídeo que compartilhei esse ebook.

📱
Prefere assistir do que ler?
No meu Instagram tenho 18 Reels sobre a China e vários destaques fixados que complementam esse guia — com imagens reais de cada destino, dicas em vídeo e tudo que a gente viveu lá.
@luccaslopes →

Uma palavra honesta de quem foi

Viajar pra China é difícil. Eu não vou romantizar isso. Mas foi, disparado, uma das viagens mais marcantes da minha vida — e eu quero que a sua seja ainda melhor do que a minha, porque você vai ter algo que eu não tive: este guia.

Tudo que está aqui é fruto de pesquisa antes de embarcar e de coisas que aprendi na raça, errando e acertando em cidades onde quase ninguém fala inglês, o Google Maps não funciona e o cardápio pode estar escrito em algo que parece arte abstrata — e mesmo com tradutor, fica muito difícil entender o que é.

"A China foi uma das viagens mais difíceis... e mais impactantes... que eu já fiz."
Como usar este guia

Leia o capítulo de Planejamento antes de comprar passagem. Leve o guia no celular. Os capítulos de cidades podem ser consultados separadamente.

Dicas em verde = ouro puro. Alertas em laranja = aprenda com meu erro.

O roteiro que eu fiz

20 dias de viagem, 8 cidades, tudo feito por trilhos a 350 km/h. Começamos e terminamos em Hong Kong, passamos por paisagens tão absurdas que parecem inventadas — montanhas que desafiam a gravidade, cachoeiras dentro de cidades, penhascos com estradas de vidro suspensas no ar — cidades que parecem ficção científica e 3.000 anos de história comprimidos num único país.

👇 Esta é uma visão geral do roteiro. Clique em qualquer destino para ir direto ao guia completo daquela cidade mais abaixo.

DestinoDiasDestaque
Hong Kong (chegada) ↓0,5 diaPonto de entrada — se acomodar e respirar
Guilin ↓2 diasCruzeiro Rio Li, pagodas, Xianggong Hill
Zhangjiajie + Furong ↓3,5 diasMontanhas de Avatar, Tianmen, Furong District
Chongqing ↓3 diasCyberpunk, pandas, drones, Estação Liziba
Beijing (Pequim) ↓3,5 diasMuralha, Cidade Proibida, hutongs, arte
Shanghai ↓3 diasThe Bund, Disney, Zhujiajiao, vida noturna
Wangxian Valley ↓1,5 diasNatureza escondida, penhascos, ponte de vidro
Hong Kong (saída) ↓3 diasVictoria Peak, templos, mercados, Lan Kwai Fong

Uma frase por cidade — minha experiência

Cada cidade na China parece um país diferente. Aqui está a impressão real, sem romantizar:

Hong Kong
O lugar mais fácil pra entrar na cultura chinesa — mais inglês, mais familiar, ótimo pra compras. Mas sinceramente, foi uma das que menos nos marcou.
Guilin
O cartão-postal que promete muito — e as paisagens karst são de fato lindas. Mas a entrega depende muito do clima: se estiver com neblina ou chovendo, você pode não ver nada. Pesquise a época certa antes de ir.
Zhangjiajie
A inspiração real para o filme Avatar. Se você só puder escolher um lugar de natureza na China, que seja esse — as montanhas são completamente surreais.
Furong
Parece IA, mas é real: uma cidade milenar construída sobre uma cachoeira. Vale o hype — e a logística junto com Zhangjiajie faz sentido.
Chongqing
A cidade 3D onde o GPS morre e o 20º andar de um prédio é a calçada da rua principal. Gigante, maluca e iluminada — mas poucas atrações turísticas de fato imprescindíveis.
Beijing
O único lugar no mundo onde você toca em 3.000 anos de história pela manhã e acorda no ano 2050 à noite. Cansativa e impressionante ao mesmo tempo.
Wangxian
O lugar que o algoritmo ama — e com razão, as fotos ficam incríveis. Mas saiba que é cenário construído, não história real. A logística para chegar é um pesadelo. Se quer foto, vale. Se quer turismo raiz, não vale.
FAVORITA
Shanghai
Se a China é o motor do mundo, Shanghai é o cérebro. Moderna, cosmopolita, vibrante, jovem — e provavelmente a cidade mais futurista que já vi na minha vida. Voltaríamos.

Qual China você quer ver?

A China é gigante demais para ver tudo. Com 20 dias tivemos que cortar muita coisa — e ainda assim foi puxado. Antes de montar o roteiro, decida qual China você quer viver:

🏔
Natureza
Zhangjiajie + Furong
Paisagens que parecem outro planeta
🏛
História
Beijing
3.000 anos em cada esquina
🌆
Metrópole
Shanghai
O futuro chegou primeiro aqui
! O que eu não repetiria

Sendo sincero: Wangxian Valley e Hong Kong eu não colocaria de novo no roteiro. Wangxian é cenário construído para foto — bonito, mas sem história real; e Hong Kong, apesar de fácil, não impressiona tanto quanto o restante. Guilin eu repetiria, mas com pesquisa muito criteriosa de época — a neblina arruinou boa parte da nossa experiência, e a paisagem merece ser vista com céu aberto. Chongqing também repetiria: a cidade não é aquele tetris todo que a internet vende, mas o hotpot no bunker e os drones valem — só saiba que as expectativas precisam estar alinhadas com a realidade.

Entrada por Hong Kong: detalhe importante

Se você chegar por HK e pegar trem para a China continental (como fizemos no trecho HK › Guilin), você passa pela imigração chinesa direto na estação de trem. É simples e rápido: cadastro numa máquina automática, digitais e dados — e pronto. Sem fila longa, sem estresse.

Por onde entrar: isso muda tudo no seu roteiro. Entre por Beijing, Shanghai ou Hong Kong e escolha o voo mais barato entre os três. Se entrar por Hong Kong, use só como porta de entrada — não gaste dias explorando a cidade quando há opções muito melhores no roteiro.

01
Capítulo 1
Planejamento
Antes de comprar qualquer passagem ⏱ ~6 min

Quando ir

A China tem clima muito variado dependendo da região e da época. Eu fui em abril de 2026 (primavera) — temperaturas agradáveis na maior parte do roteiro, paisagens verdes e cerejeiras ainda floridas em algumas regiões. Pode chover, então leve um corta-vento leve. Quem prefere clima mais seco pode considerar o outono (setembro–novembro).

Feriados chineses: evite essas datas

Golden Week de outubro (1–7 out): o maior feriado do ano — o país inteiro viaja, tudo lota e os preços disparam. Também fique de olho no Ano Novo Chinês (jan/fev): semana de feriado com migração massiva e muitas lojas fechadas. Dia do Trabalhador (1–5 maio): outra semana de feriado prolongado.

EstaçãoClimaPrós / Contras
Primavera (mar–mai) FUIAmeno, pode choverPaisagens verdes, flores. Ótima opção com corta-vento
Verão (jun–ago)Muito quente e úmidoPaisagens exuberantes, mas calor intenso
Outono (set–nov)Ideal — ameno e secoExcelente opção. Evite Golden Week (out)
Inverno (dez–fev)Frio (Norte)Menos turistas, mas muito frio em Beijing

✅ Checklist de planejamento

Marque cada item conforme for preparando a viagem. O progresso é salvo no seu navegador.

0 / 12 concluídos
  • Passaporte válido (mínimo 6 meses de validade)
  • Verificar isenção de visto no site do consulado
  • Comprar passagem aérea (monitorar 8 meses antes, comprar 6 meses antes)
  • Contratar seguro viagem (ou emitir apólice Mastercard Black)
  • Instalar e configurar AliPay com cartão internacional
  • Instalar e configurar WeChat
  • Comprar eSIM ou chip físico para a China
  • Instalar e configurar VPN ANTES de embarcar
  • Baixar Google Tradutor com pacote offline do chinês
  • Baixar Apple Maps ou Amap para navegação
  • Reservar hotéis pelo nuViagens ou Trip.com
  • Fechar passeios pelo GetYourGuide (Muralha, Zhangjiajie, Guilin)

Visto e imigração

Brasileiros têm isenção de visto para a China! Não precisa de nada além do passaporte válido. Eu confesso que fui com bastante medo — as informações sobre isso são super escassas na internet e fica difícil confiar. Mas foi SUPER de boa. Pode ir sem medo.

Essa isenção é válida até o final de 2026 e pode ser renovada (ou não) depois disso. Sempre confirme no site oficial antes de viajar — essa informação pode mudar: br.china-embassy.gov.cn

E se a isenção não estiver mais válida? Veja como tirar o visto

Caso a isenção tenha expirado quando você for viajar, o processo para tirar o visto de turismo chinês (tipo L) segue os passos abaixo. O custo gira em torno de R$200–300 dependendo da urgência e da modalidade.

Passo a passo para tirar o visto chinês

1

Acesse o site oficial do consulado

Vá até br.china-embassy.gov.cn e localize a seção de solicitação de visto. O Brasil conta com consulados em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

2

Preencha o formulário online (Formulário V.2013)

Acesse o sistema COVA (Chinese Online Visa Application) em cova.cs.mfa.gov.cn. Preencha com atenção: endereço na China (use o hotel que vai se hospedar), itinerário detalhado e dados do passaporte. Imprima e assine ao final.

3

Reúna os documentos necessários

Lista básica para visto de turismo (tipo L):

  • Passaporte original com validade mínima de 6 meses e ao menos 2 páginas em branco
  • 1 foto 3×4 recente (fundo branco, rosto descoberto)
  • Formulário V.2013 preenchido e assinado
  • Comprovante de passagem aérea (ida e volta)
  • Comprovante de hospedagem (reserva do hotel)
  • Comprovante de renda ou extrato bancário (últimos 3 meses)
  • Para menores de idade: documentos adicionais dos responsáveis
4

Agende e compareça ao consulado (ou envie pelos Correios)

Muitos consulados permitem entrega pelos Correios com envelope de retorno pré-pago. Se for pessoalmente, agende horário pelo site. Leve todos os documentos em ordem e evite agendamentos próximos à data da viagem.

5

Pague a taxa consular

O valor varia conforme o prazo: processamento regular (~4 dias úteis) custa em torno de R$220–260. Processamento expresso (2 dias) ou urgente (1 dia) pode custar até R$350–400. Os valores são definidos pelo consulado e podem mudar — confirme no site oficial antes.

6

Aguarde e retire o passaporte com o visto

O prazo padrão é de 4 dias úteis. Ao retirar, confira se os dados (nome, datas de entrada/saída, número de entradas) estão corretos antes de sair do consulado. O visto de turismo costuma ser de entrada simples ou dupla, válido por 90 dias a partir da emissão.

Atenção: testes antidrogas

As autoridades chinesas podem realizar testes de droga aleatórios no aeroporto (via urina ou cabelo). Mesmo que você tenha consumido em um país onde é legalizado, o governo chinês pode te negar entrada. Não acontece sempre, mas existem casos relatados.

Seguro de viagem

Seguro de viagem é indispensável — e a boa notícia é que dá pra conseguir de graça. Nós usamos a garantia da Mastercard Black, que vem inclusa no Cartão Ultravioleta do Nubank. Como compramos as passagens por esse cartão, tivemos direito a emitir a apólice sem nenhum custo adicional.

Seguro viagem de graça — e dura um ano

Se você tem o Cartão Ultravioleta do Nubank (ou outro Mastercard Black), compre sua passagem por ele e verifique o benefício de seguro viagem incluso. A apólice pode ser emitida de graça e é válida por um ano a partir da emissão — então se você for viajar de novo dentro desse período, não precisa reemitir. Muito útil pra quem viaja mais de uma vez por ano.

Para a viagem à China especificamente, não usei outro seguro além do Mastercard, por isso não tenho como recomendar outras opções com propriedade.

Independente de como você contrata, leve o comprovante da apólice impresso. A cobertura médica é especialmente importante — você vai comer coisas novas, caminhar muito mais do que está acostumado e provavelmente pegar algum resfriado de tanto ar-condicionado nos trens hahaha.

Passagem aérea

A passagem é o maior custo da viagem — mas dá pra economizar bastante monitorando com antecedência. Paguei R$5.137 por pessoa, ida e volta, comprando pelo nuViagens, dentro do próprio app do Nubank. Vale muito checar lá antes de qualquer outro lugar — dá pra parcelar em 8x sem juros, o que facilita bastante o planejamento financeiro. Os hotéis também reservei por lá, centralizando tudo no mesmo app.

! Meu trajeto real: GRU → Houston → São Francisco → Hong Kong

Voamos pela United Airlines, tudo em econômica. O trajeto funciona, mas é MUITO cansativo — escalas de aproximadamente 2 horas em cada conexão, muita correria. Se você viajar com crianças ou idosos, não recomendo: tivemos que correr em vários momentos. Se o preço for similar, prefira rotas pela Europa ou Ásia.

Onde monitorar antes de comprar

Dicas sobre rotas e escalas

Monitorei por quanto tempo?

Comecei a monitorar os preços 8 meses antes da viagem e comprei exatamente 6 meses antes. O preço foi caindo gradualmente até chegar num patamar bom — aí fechei. Não espere até a última hora: passagens para a China raramente ficam baratas perto da data.

02
Capítulo 2
Aplicativos essenciais
Configure tudo ANTES de embarcar

Na China, você vai viver dentro de um ecossistema completamente diferente, e quem não se prepara antes de chegar, sofre na chegada. Sem VPN, você não vai ter acesso ao Google, Instagram e WhatsApp.

Regra de ouro: configure com antecedência

Configure todos os aplicativos abaixo com pelo menos 2 semanas de antecedência. Ativar contas e usar cartões num intervalo muito curto pode gerar bloqueio por atividade suspeita.

AliPay
O aplicativo central da sua vida na China. Metrô, Didi, pagamentos, ingressos, reservas — tudo passa por aqui via mini-apps.
WeChat
O WhatsApp turbinado. Hotéis e prestadores de serviço vão te pedir contato por ele. Tem tradução embutida e salva muita situação.
Railway 12306
App oficial dos trens chineses. Mais confiável que qualquer terceiro para compra de passagens ferroviárias.
Trip.com
Resolve voos, trens, hotéis e passeios dentro da China. Simples, eficiente e manda notificação de portão. Indispensável.
Apple Maps / Amap
Google Maps e um tijolo têm a mesma utilidade na China. Use Apple Maps no iPhone (usa dados do Amap por baixo, mas mostra nomes em inglês/pinyin — salva a vida) ou Amap no Android. Mostra até o vagão do metrô certo para embarcar.
Google Tradutor
Baixe com pacote offline do chinês. Não teve um dia que não usei. A função de câmera (apontar pro texto) é indispensável nos cardápios.
Didi
O Uber chinês. Barato, funciona bem nas grandes cidades e aceita pagamento pelo AliPay. Muito mais acessível que Uber em qualquer lugar.
Meituan (美团)
O "iFood" chinês — mas muito mais completo. Delivery, restaurantes com fotos e avaliações, ingressos de museu com desconto. Dá pra pedir de tudo. Muito melhor que qualquer app equivalente no Brasil.
Dianping (大众点评)
O "Yelp" chinês. Como o Google Maps não funciona, é aqui que você acha avaliações reais de restaurantes, fotos dos pratos e os mais bem cotados da região. Indispensável para a parte de comida.
VPN (NordVPN etc.)
Para acessar Instagram, Google e redes sociais brasileiras. Configure ANTES de entrar no país — no Wi-Fi chinês, a VPN pode não funcionar.

Internet e eSIM

Assim que você pousar na China, seu WhatsApp, Instagram e Google vão parar de funcionar. Isso não é bug — é o Great Firewall, o sistema de censura digital do governo chinês que bloqueia a maioria dos aplicativos ocidentais. Então antes de embarcar, você precisa resolver duas coisas: como vai ter internet e como vai furar o bloqueio.

VPN não é opcional. É obrigatória.

VPN nada mais é do que um aplicativo que faz a China acreditar que seu celular está em outro país. Sem ela, Instagram, WhatsApp, Google Maps e YouTube simplesmente não funcionam. Instale e configure ANTES de entrar no país — dentro da China, os sites das VPNs também ficam bloqueados.

As duas opções que testamos

Opção 1 — Recomendada
eSIM Trip.com
25 dias · 100GB por dia · US$44
  • Instalação com um clique direto pelo app — sem precisar trocar chip físico
  • Já fura o bloqueio sem VPN adicional — Instagram e Google funcionam direto
  • Funcionou 100% em todas as cidades da China continental
  • 100GB por dia — isso mesmo, por dia. Incrível. Dá pra ficar mais barato escolhendo menos dias ou menos dados
  • Você consegue acompanhar o consumo direto pelo app
Ver eSIM no Trip.com →
Opção 2
Chip físico Amazon
20 dias · 20GB · R$312
  • China Unicom 5G — funciona bem, mas não fura o bloqueio sozinho
  • Precisa de VPN separada (usamos NordVPN, ~R$40)
  • Demorou 25 dias para chegar ao Brasil — compre com bastante antecedência
  • Compramos por precaução, mas o eSIM funcionou 100% — se fosse hoje, iria só com o eSIM
Ver chip na Amazon →

VPN: o que usar

Se você foi pelo chip físico (ou quer ter uma VPN de segurança mesmo com eSIM), as mais confiáveis na China são:

! Alertas importantes sobre VPN e internet

Wi-Fi do hotel bloqueia tudo — mesmo com VPN ativa, o Wi-Fi da maioria dos hotéis na China não deixa acessar redes sociais. Você vai ter que usar seus dados móveis com VPN até dentro do quarto.

Tenha mais de uma VPN instalada — o governo chinês às vezes derruba servidores de VPN. Se uma cair, você usa a outra.

Instale tudo antes de embarcar — dentro da China, os sites das VPNs ficam bloqueados e você não consegue baixar nem ativar nada.

Hong Kong é zona livre

Em Hong Kong, não precisa de nada disso. Qualquer chip internacional funciona normalmente, sem VPN. Usamos o Airalo lá e foi tranquilo — Instagram, Google e WhatsApp funcionam como se estivesse no Brasil.

Outras operadoras de eSIM testadas em outras viagens (não especificamente na China): Airalo, Mobimaster, Nomad, Nubank Ultravioleta, Holafly.

03
Capítulo 3
Pagamentos
A China é quase 100% sem dinheiro

Prepare-se para a experiência mais cashless da sua vida. A China praticamente aboliu o dinheiro físico. Tudo é feito via QR Code — desde o mercadinho na esquina até restaurantes estrelados. Mas para isso funcionar, você precisa de um app. E esse app tem nome.

AliPay: o app mais importante da viagem

Eu usei o AliPay em 95% de todos os pagamentos da viagem. Metrô, Didi, restaurantes, ingressos de parques, lojas de conveniência, mercado, farmácia — tudo. Não é exagero dizer que sem AliPay configurado você vai ter uma viagem muito mais difícil.

O AliPay funciona como uma carteira digital conectada ao seu cartão internacional. Você escaneia o QR Code do estabelecimento (ou mostra o seu para ser escaneado) e pronto — o pagamento é feito em segundos, em yuans, sem precisar de troco, sem precisar de dinheiro físico, sem falar com ninguém.

🚇
Metrô
mini-app por cidade
🚗
Didi
Uber chinês, via AliPay
🍜
Restaurantes
pedido e pagamento no celular
🎡
Ingressos
parques e atrações
🛒
Lojas e mercados
de conveniência a farmácia
🏨
Hotéis e serviços
na maioria das cidades

O WeChat Pay é a alternativa — alguns lugares aceitam só um ou só outro, mas raramente você vai precisar dos dois ao mesmo tempo. Configure o AliPay como prioridade e o WeChat como backup.

Configure AliPay e WeChat ainda no Brasil

Não deixe para fazer isso na China. O processo de cadastro pode exigir validação por SMS, confirmação do cartão, conversão de saldo em yuans e outras etapas que dependem de conexão estável e acesso a aplicativos que podem estar bloqueados lá. Faça tudo antes de embarcar, com calma, em casa. Se deixar pra última hora, vai passar aperto nos primeiros dias.

! Como vincular seu cartão ao AliPay

Use cartões de contas internacionais: Nubank Global, Wise ou C6 Global são os mais fáceis de vincular. IMPORTANTE: o cartão precisa ter algum saldo convertido em yuans para ser validado. Se estiver com saldo zerado, o cadastro vai dar erro — coloque pelo menos um valor pequeno antes de tentar.

QR Code em tudo

Na maioria dos restaurantes, o menu fica num QR Code na mesa. Você escaneia, faz o pedido pelo celular e paga na hora — sem garçom, sem conta, sem confusão. Parece estranho da primeira vez, mas você se acostuma rápido e passa a achar muito mais eficiente.

Leve R$100 em dinheiro físico — só por precaução

Você provavelmente não vai usar. Mas em lugares muito pequenos, rurais ou fora do circuito turístico principal, pode aparecer algum estabelecimento que não aceita QR Code. Levar o equivalente a R$100 em yuans (cerca de 130–140 CNY) é suficiente pra qualquer emergência. É uma segurança que pesa zero na mala.

Não existe gorjeta na China

Não deixe gorjeta. A prática pode ser considerada ofensiva em muitos contextos. Em compensação, vai ter muita insistência para que você avalie o serviço — as avaliações digitais são vitais para os negócios lá.

04
Capítulo 4
Transporte
De trens bala a Didi

Trens de alta velocidade

Nós rodamos 6.000 km pela China a 350 km/h sem pisar em um único aeroporto. Viajar de trem aqui é muito mais prático do que qualquer experiência de voo — sem aeroporto distante do centro, sem fila de check-in, sem burocracia. As estações parecem aeroportos gigantes só que no meio da cidade, e os trens não tremem um copo d'água na velocidade máxima. É coisa de outro mundo.

350
km/h de velocidade
6.000
km percorridos de trem
10
trechos no roteiro

O que saber antes de embarcar

! Atenção aos nomes das estações

Cidades grandes têm múltiplas estações (Norte, Sul, Leste, Oeste). Sempre verifique qual está reservando antes de chamar o Didi. Ex: Chongqingbei ≠ Chongqingnan.

Qual classe escolher?

2ª Classe
Confortável e barata. Mas os chineses costumam assistir vídeos no viva-voz e falar alto. Se barulho te incomoda, evite em trechos longos.
Recomendada
1ª Classe
Poltronas mais largas, menos pessoas por vagão e bem mais silencioso. Melhor custo-benefício para trechos acima de 4h.
Executiva
Um absurdo de confortável — poltronas que reclinam completamente. Mais cara, mas vale a experiência em pelo menos um trecho longo.

Onde comprar as passagens — e o perrengue que passamos

A maioria dos turistas compra pelo Trip.com — e funciona, mas tem um detalhe importante que quase arruinou nossa viagem. O app faz uma intenção de compra, não uma compra definitiva. A efetivação do bilhete acontece só faltando 14 dias para a data, quando o app tenta comprar o assento oficial.

O perrengue que passamos

Em 2 dos nossos 10 trechos, os assentos esgotaram antes da efetivação. O que acontece: quando o trem lota, o Trip.com tenta comprar o bilhete oficial faltando 14 dias mas não consegue — e você chega na estação sem passagem. Tivemos que correr para comprar conexões de última hora no guichê. Não estou dizendo para não usar o Trip.com, porque é muito mais fácil — mas nossa experiência foi chata. Por isso eu recomendo testar os dois apps: Trip.com para facilidade, Railway 12306 para garantia. A passagem pode ser confirmada até 2 horas antes do embarque — mas não conte com isso.

A dica de ouro: use o Railway 12306

Esse é o app oficial do governo chinês. Sem taxas, compra 100% garantida na hora. O macete: ele só abre as vendas exatamente 14 dias antes da data do trem. Coloque um despertador e compre no minuto exato — as passagens mais populares esgotam em menos de 1 minuto. Explico o passo a passo completo de como usar o app no meu Instagram.

Quanto custa? Todos os trechos do nosso roteiro

Valores em dólar (USD) por pessoa, com cotação da época. Multiplique pela cotação atual para converter.

Trecho Duração / Modo 2ª Classe 1ª Classe Executiva
Hong Kong → Guilin3h · trem direto$58$93$170
Guilin → Zhangjiajie6h · 1 baldeação$49$78
Zhangjiajie → Chongqing2h · direto$33$52$100
Chongqing → Beijing7h · direto$130$207$411
Beijing → Shanghai4h · direto$97$163$330
Shanghai → Wangxian Valley6h · trem + ônibus$35$54$101
Wangxian Valley → Hong Kong9h · ônibus + trem + metrô$120$190$381
Total do roteiro completo ~R$2.863 ~R$4.606 ~R$8.212

Metrô nas cidades

O metrô é a melhor forma de se locomover nas cidades chinesas — rápido, limpo, barato e com sinalização em inglês nas principais cidades. E tem uma coisa que vai te surpreender: praticamente sem fila. Diferente de São Paulo, onde poucas estações concentram todo o fluxo, as cidades chinesas têm uma rede tão densa de estações que o movimento fica distribuído. Você simplesmente entra e embarca.

Passo a passo: usando o metrô pelo AliPay

1

Abra o AliPay e procure o mini-app do metrô da cidade

Cada cidade tem seu próprio mini-app dentro do AliPay (ex: "Metro Shangai", "Chongqing Rail Transit"). Busque pelo nome da cidade + "metro" na barra de pesquisa do AliPay. Na primeira vez, o app vai pedir para cadastrar seu nome e número de passaporte — faça isso antes de chegar na estação.

2

Passe pelo raio-x de segurança na entrada

Em todas as estações de metrô da China você vai passar por um raio-x — mochila e bolsas na esteira, você passa pelo detector. É obrigatório, rápido e faz parte da rotina. Não estranhe, não tem como evitar. Tire bolsas dos ombros antes de chegar na fila para agilizar.

3

Gere o QR Code de embarque no mini-app

Dentro do mini-app do metrô, toque em "Ride" ou "Entrar". Um QR Code vai aparecer na tela — esse é o seu bilhete. O valor é descontado automaticamente do seu AliPay com base na distância percorrida.

4

Escaneie na catraca de entrada

Aproxime o celular do leitor na catraca, a tela abre e você entra. Simples assim. Não precisa selecionar destino antes — o sistema calcula quando você sair.

5

Escaneie novamente na saída

Na estação de destino, gere um novo QR Code no mini-app e escaneie na catraca de saída. O valor exato é cobrado nesse momento. Não saia sem escanear — a catraca não abre e você pode ser cobrado por uma distância máxima.

Sem fila, mas com raio-x em toda estação

Por incrível que pareça, o metrô chinês não tem aquelas filas intermináveis que a gente sofre em São Paulo. A rede é tão extensa que o fluxo fica bem distribuído. O único ponto de atenção é o raio-x na entrada — mas vai rápido. É só parte da rotina.

Didi (Uber chinês)

O Didi é baratíssimo, eficiente e a melhor alternativa ao metrô para trajetos mais específicos — quando você está com mala, num horário ruim para o metrô, ou indo a um lugar fora das linhas principais. O melhor: funciona direto dentro do AliPay, sem precisar instalar nenhum app separado.

Passo a passo: chamando um Didi pelo AliPay

1

Abra o AliPay e busque "Didi"

Na tela inicial do AliPay, procure o ícone do Didi ou digite "Didi" na barra de pesquisa. O mini-app vai abrir direto dentro do AliPay — sem redirecionamento, sem login separado.

2

Digite o destino

A sua localização atual é detectada automaticamente pelo GPS. Basta digitar o destino no campo de busca — em inglês funciona na maioria das vezes, mas se travar use o Google Tradutor para copiar o nome em chinês e colar.

3

Escolha o tipo de carro e confirme

O app mostra as opções disponíveis com o preço já fixado — sem surpresa no final. Escolha a categoria desejada (econômico resolve bem na maioria dos casos) e toque em confirmar.

4

Aguarde e localize o motorista

O app mostra o carro no mapa em tempo real, a placa e o nome do motorista. Como a comunicação pode ser difícil (poucos falam inglês), use o mapa mesmo para se encontrar. Mostrar a tela do app para o motorista resolve quase tudo.

5

O pagamento é automático

Ao chegar ao destino, o valor é debitado direto do AliPay — sem passar dinheiro, sem máquina de cartão, sem troco. Só descer e ir.

Corridas saem muito mais baratas que no Brasil

Uma corrida urbana típica custa entre R$15 e R$40. Para referência: trajetos que custariam R$80–100 de Uber no Brasil saem por R$25–35 no Didi. Vale muito a pena nos dias de chuva, com mala ou em horários que o metrô já fechou.

Uber em Hong Kong

Se passar por Hong Kong: o Uber funciona normalmente lá, sem precisar de Didi. Mas Hong Kong é muito mais cara que o restante da China — as corridas pesam mais no bolso.

Voos internos

Honestidade primeiro: não usamos nenhum voo doméstico no nosso roteiro. Fizemos tudo de trem-bala, e dado tudo que já falamos — pontualidade, preço, conforto, estações no centro da cidade, sem burocracia de aeroporto — eu não recomendaria trocar o trem por avião em nenhum trecho. A experiência do trem na China é boa demais para abrir mão.

Dito isso, se por algum motivo você precisar pegar um voo doméstico (roteiro muito longo, destinos sem conexão ferroviária viável), aqui vão dicas que pesquisei sobre o assunto:

! Atenção ao limite de bagagem — diferente dos voos internacionais

Os voos domésticos chineses têm limites menores do que você está acostumado. Mala despachada: até 20kg (não os 23kg dos internacionais). Bagagem de mão: até 7kg. Vale muito ter uma balança de mala na mochila — barata e evita dor de cabeça no check-in.

05
Capítulo 5
Hospedagem
Confortável e surpreendentemente barata

Uma das melhores surpresas da viagem. A China oferece hotéis muito confortáveis por um preço que envergonha qualquer destino europeu. O que você gastaria num fim de semana num hotel básico em Amsterdam paga uma semana inteira de hotel bom em Beijing.

Onde e como reservamos — e por quê

Reservamos todas as hospedagens pelo nuViagens, dentro do próprio app do Nubank, pelos mesmos motivos que usamos para a passagem. Dois motivos principais:

💳
Parcelamento em 8x sem juros
Mesmo sem promoção, dividir a hospedagem de toda uma viagem à China em 8 parcelas sem juros já é motivo suficiente. O planejamento financeiro fica muito mais fácil.
Bônus da época
20 pontos por dólar gasto
Na época havia uma promoção muito boa de 20 pontos Nubank por dólar gasto em viagens. Acumulamos muitos pontos reservando tudo por lá. Verifique se há promoção ativa antes de reservar.

Outras opções para reservar

O que saber antes de reservar

! Cuidado com o café da manhã — dica importante

Se você leu a seção de comida e sentiu que pode ter dificuldade com a culinária chinesa, priorize hotéis com restaurante ocidental dentro. Em todos os hotéis que ficamos, o café da manhã era exclusivamente oriental — macarrão, arroz, verduras. Para quem não está acostumado logo de manhã, pode ser uma experiência bem difícil. Verificar isso antes de reservar faz uma diferença grande no dia a dia da viagem.

Funcionários de hotel são seus melhores aliados

Os funcionários dos hotéis na China são extremamente prestativos. Aproveitamos muito isso para organizar passeios, conseguir ingressos de última hora e entender rotas. Pergunte sempre — eles resolvem coisas que você não imaginaria.

Os hotéis onde ficamos

Valores em reais para o total de noites por propriedade, para 2 pessoas.

Chongqing · 3 noites
Chongqing R$1.021
Shanghai · 3 noites
Shanghai R$1.841
Guilin · 2 noites
Guilin R$666
Shangrao (Wangxian) · 1 noite
Shangrao R$447
Zhangjiajie · 4 noites
Zhangjiajie R$1.520
Beijing · 4 noites
Beijing R$1.610
Hong Kong · 1 noite
Hong Kong R$661
Hong Kong · 3 noites
Hong Kong R$1.667
Total hospedagem — roteiro completo (2 pessoas) R$9.433
06
Capítulo 6
Comida
A parte mais difícil da viagem — sem romantizar

De 32 países que já conheci, a China foi de longe o maior desafio gastronômico. Nossa expectativa era mergulhar na culinária local — a realidade foi de muita frustração, vários McDonald's para salvar o dia e momentos incríveis no meio. Vou ser honesto sobre tudo.

Antes de tudo: não existe certo ou errado, existe diferença cultural. O Brasil baseia a alimentação em arroz, feijão e carnes grelhadas. A China tem uma lógica diferente — valorizam partes do animal que nós descartamos, texturas que não estamos acostumados e sabores que levam tempo para fazer sentido.

O que você vai encontrar nos pratos

A culinária chinesa tem muito carboidrato (macarrão, arroz), caldos gordurosos e apimentados e pouquíssima proteína comparado ao que estamos acostumados. Os pequenos pedaços de carne que aparecem geralmente são cortes que valorizamos menos: tendões, cartilagens, miúdos, pés de galinha. Nos mercados você vai ver snacks embalados a vácuo de pescoço de pato, sangue coagulado e pé de galinha — não por acidente, por preferência.

Outra diferença: a textura importa mais que o corte. Esqueça o bife macio e suculento. Lá eles valorizam o gelatinoso, o cartilaginoso, o fibroso. É uma virada de chave difícil para o paladar brasileiro.

✓ Valeu muito a pena
  • Dumplings — deliciosos, fáceis de pedir, salvam qualquer refeição
  • Pato de Pequim — gorduroso, mas incrível. Vale a experiência
  • Hotpot — e comer dentro de um bunker da 2ª guerra em Chongqing foi surreal
  • Noodle — curinga da China, mas sem proteína; ótimo custo-benefício
✗ Nos pegou de surpresa
  • Café da manhã — macarrão, arroz e pimenta todo dia. Esqueça a padaria
  • Cardápios sem foto e com tradução inútil — "angústia" e "amendoim estranho"
  • O "frango" pode ser pato, a "carne especial" pode ser miúdo
  • Bebida gelada praticamente inexistente — preferem quente ou temperatura ambiente
  • Doces: praticamente zero. A sobremesa chinesa não é pra nós

A dica de ouro: coma nos shoppings

Se você está com receio do padrão de higiene nas ruas — e é um receio válido para o ocidental — vá para os shoppings. Os restaurantes dentro dos shoppings têm padrões bem mais próximos do que estamos acostumados: ambiente controlado, cozinhas visíveis, higiene razoável. Além disso, muitos têm fotos nos cardápios, o que já resolve metade do problema de comunicação.

Na rua o padrão varia muito. Tem lugares ótimos e tem lugares que vão te assustar. Se não tiver disposição para essa roleta, vai de shopping sem culpa.

Por que tem restaurante em toda rua

Os chineses comem fora de casa o tempo todo — e é barato porque funciona assim. Graças ao forte planejamento estatal e a cadeias de distribuição curtíssimas, os ingredientes chegam frescos e baratos direto para os pequenos restaurantes. É uma lógica de abastecimento que não existe no Brasil. O resultado é comida fresca, rápida e acessível em cada esquina — mas escolher onde sentar pode ser um pesadelo, porque tudo parece igual e os tradutores quase não ajudam.

O app secreto para achar bons restaurantes

Como o Google não funciona na China, você vai precisar do Dianping (大众点评) — o "Yelp" chinês. É lá que estão as avaliações reais dos restaurantes, com fotos dos pratos e os mais bem avaliados da região. A nota é baseada no paladar oriental, mas já ajuda muito a filtrar o que vale a pena. O app não está disponível para download no Brasil — faça o download quando chegar na China, ou acesse diretamente pelo WeChat: procure pelo Dianping na barra de pesquisa de dentro do app.

! A pimenta não é o maior vilão

Muito se fala da pimenta, mas achamos tranquilo — há opções mais leves e mais intensas. O problema real é a barreira do idioma: sem Google Maps e com cardápios em chinês, você frequentemente não sabe o que está pedindo. Esse é o desafio de verdade.

Farmácia de bolso para a comida

Dicas práticas no dia a dia

07
Capítulo 7
Cultura e hábitos
O choque cultural que ninguém avisa

A China é outro planeta. Se você quer uma viagem boa, o principal ingrediente é respeito e curiosidade — não julgamento. Mas é melhor chegar preparado do que se chocar na primeira hora. Aqui estão os 9 maiores choques culturais que vivi.

1

Sem filtro nenhum 🔊

Arrotar, peidar e cuspir em público? Normal. Sem vergonha, sem desculpa, sem olhar pra trás. É cultural — eles simplesmente não têm a mesma noção de "constrangimento" que o ocidental tem. Prepare o sistema nervoso.

2

Fumam em todo lugar 🚬

Dentro de restaurantes, em corredores de shopping, embaixo de placa de "proibido fumar". A cultura do cigarro na China é de outro nível. Se você tem sensibilidade ou filho pequeno, esteja avisado.

3

Espaço pessoal? Não existe 🚫

Furam fila, entram na sua foto sem pedir e usam celular no viva-voz no metrô sem a menor cerimônia. Não é falta de educação na concepção deles — é só uma noção de espaço coletivo muito diferente da nossa. Foi o que mais me deu trabalho.

4

A obsessão com pele branca ☀️

A obsessão por pele clara é real e visível. Máscaras no rosto, blusas de manga comprida e sombrinhas no sol de 40 graus — não por calor, mas para não bronzear. É padrão de beleza deles. Estranha no início, mas faz sentido depois que você entende a lógica cultural.

5

O mito do escorpião frito 🦂

Calma. Você NÃO vai ver escorpião e cachorro pra comer em toda esquina. Isso não faz parte da alimentação cotidiana deles — é pega-turista em mercados específicos em Beijing. A comida chinesa do dia a dia é bem mais próxima do que você imagina. O exótico real está nas texturas e nas partes do animal, não nos bichos.

6

Água quente pra tudo 🔥

Restaurante? Água quente. Calor de 38 graus? Água quente. Resfriado? Água quente. É uma crença cultural profunda ligada à medicina tradicional chinesa. E tem bebedouro de água fervendo em todo lugar — aeroporto, trem, shopping. Leve sua garrafa.

7

Máquina do tempo 🕰️

Em 30 segundos você pode sair de um arranha-céu futurista e entrar numa rua de casas de tijolos de 100 anos. A China convive com séculos de história lado a lado com tecnologia que o ocidente ainda não tem. É vertiginoso — mas é exatamente o que faz a viagem ser inesquecível.

8

Você vai virar celebridade 📸

Em qualquer lugar, a qualquer momento, alguém vai te puxar pra tirar uma foto porque você é ocidental. Acontece especialmente fora dos grandes centros. Sorria, aceite — e guarde como memória. É um dos momentos mais genuínos que você vai ter com os locais.

9

A segurança que envergonha o ocidente 🛡️

Esse é o lado que poucos falam: a China é um dos países mais seguros do mundo. Câmeras em todo lugar, reconhecimento facial na entrada de parques, trens e metrô que funcionam no horário. Você anda à noite sem medo. É uma contradição — controle total e, ao mesmo tempo, uma sensação de liberdade de movimento que raramente se tem em grandes cidades ocidentais.

Dicas de sobrevivência cultural

Idioma e comunicação

Vou ser direto: a comunicação na China é difícil. Não é um desafio pequeno que você resolve com um app — é uma barreira real que vai estar presente em 90% das situações fora de Hong Kong. Prepare-se mentalmente para isso antes de embarcar.

Inglês? Raríssimo. E quando alguém fala, é tão básico que serve só pra comunicação super simples — "yes", "no", "how much". Mesmo em cidades grandes como Shanghai e Beijing, o inglês fluente é exceção, não regra. No interior da China, praticamente inexistente.

Hong Kong

Praticamente não usamos o tradutor. A maioria fala inglês com desenvoltura. É outra realidade.

China Continental

Tradutor em praticamente 100% das interações. Mesmo assim, nem sempre funcionou — às vezes a conversa ficou truncada mesmo com o app na tela.

A experiência que tivemos repetidas vezes: você mostra a tradução na tela, a pessoa lê, olha pra você, tenta responder em chinês, você não entende, ela tenta gesticular, você tenta gesticular de volta, e no final — com paciência de ambos os lados — o entendimento chega. Lento, às vezes frustrante, mas sempre chegou.

A dica mais importante de comunicação

Seja paciente e atencioso com a pessoa. Os chineses não são frios — eles são tímidos com estrangeiros numa primeira impressão. Quando você demonstra paciência e respeito, eles correspondem com uma generosidade enorme. A barreira do idioma existe, mas a boa vontade é recíproca. Você vai receber de volta o que você emitir.

Ferramentas que realmente ajudaram

08
Capítulo 8
As cidades e Roteiro
O que ver, fazer e onde comer ⏱ ~18 min

8 destinos ao longo de quase 3 semanas — começando e terminando em Hong Kong. Cada lugar era completamente diferente do anterior, e é exatamente isso que faz esse roteiro tão especial.

01
Hong Kong (chegada)
Dia 3 · meio dia · ponto de entrada

Hong Kong foi a porta de entrada da viagem. É completamente diferente da China continental — aqui o Google funciona, a maioria fala inglês e o Uber opera normalmente. Mas é cara pra caramba. Use o tempo de chegada para se acomodar, trocar dinheiro e respirar antes de entrar de cabeça na aventura.

Não perca

  • Aeroporto bem conectado ao centro via metrô (MTR)
  • Trocar dinheiro por HKD — cartão funciona bem, mas tenha algum físico
  • Victoria Harbour de noite já vale a pena se tiver energia

Dicas

  • Uber funciona normalmente aqui — diferente da China continental (onde é Didi)
  • Hong Kong é muito mais cara que qualquer cidade chinesa — controle os gastos
  • O metrô (MTR) é excelente e cobre praticamente tudo
02
Guilin
Dias 4, 5 e 6 · 2 dias
🎟 Ver passeio que fizemos em Guilin no GetYourGuide ↗

Guilin foi uma das surpresas mais bonitas da viagem. Cidade menor, mais tranquila, com aquela paisagem de montanhas karst que parece pintura — a mesma que aparece na nota de 20 yuan.

Dia 4
★ Elephant Trunk Hill Pagodas do Sol e da Lua Centrinho de Guilin ↳ Fechar tour do lago com antecedência
Dia 5
★ Cruzeiro no Rio Li (Guilin › Yangshuo) Rafting em bambu ★ Xianggong Hill — A Sunrise Dream Reed Flute Cave ★ Yangshuo + Espetáculo Impressions of Liu Sanjie ↳ Fechar tour com antecedência
Dia 6 — manhã antes de partir
★ Xianggong Hill — Sunrise Dream (acorde MUITO cedo, vale 100%) Terraços de arroz Xingping Ancient Town

Dicas essenciais

  • No rafting: use sapato que pode molhar
  • Impressions of Liu Sanjie usa os morros como cenário — não perca
  • Compre os bolinhos de tâmara antes do espetáculo
  • Restaurante Meijie: peixe na cerveja e berinjela são imperdíveis

Logística

  • Feche o tour do lago e do cruzeiro com antecedência — esgotam
  • Xianggong Hill: chegue antes do amanhecer — o sunrise é o espetáculo
  • Xingping Ancient Town: sem tour confirmado disponível, pesquise na hora
! Neblina em Guilin — pesquise o clima antes de ir

Pegamos uma neblina muito chata que encobriu boa parte das paisagens no Rio Li e na Colina de Xianggong. No sul da China o clima muda bastante e a neblina pode esconder justamente a atração principal. Pesquise obsessivamente a época do ano e a previsão do tempo antes de fechar os passeios — é o principal fator que pode frustrar ou salvar a experiência em Guilin.

Onde comer em Guilin

Imperdível
Restaurante Meijie (美界)
Peixe na cerveja e berinjela são os pratos que você não pode deixar de pedir. Favorito da nossa viagem em Guilin
Beer Fish — Yangshuo
O prato típico da região — peixe fresco do Rio Li cozido com cerveja local. Peça em qualquer restaurante de Yangshuo, mas escolha os cheios de locais
Guilin Rice Noodles (米粉)
O café da manhã local por excelência — noodle de arroz em caldo com guarnições variadas. Nas barraquinhas de rua sai por menos de R$5
Bolinhos de tâmara — Yangshuo
Compre antes do espetáculo Impressions of Liu Sanjie nas barraquinhas da entrada. Doces, macios e muito diferentes do que estamos acostumados
Hotel: Guilin O-LIVE Social Hotel ↗ — 2 noites
03
Zhangjiajie + Furong District
Dias 7, 8 e 9 · 3,5 dias
🎟 Ver passeio que fizemos em Zhangjiajie no GetYourGuide ↗

Se você viu Avatar (o Pocahontas azul), vai reconhecer os paredões e as montanhas flutuantes. Mas nem de perto a tela prepara para a experiência real. Média de 20–30 mil passos por dia — venha em forma.

Dia 7 — East Gate
★ Bailong Elevator ★ Yuanjiajie — Avatar Mountain Monte Tianzi + teleférico + mirantes Ten Mile Gallery — ônibus panorâmico
Dia 8 — South Gate
Golden Whip Stream Grand Canyon ★ Ponte de Vidro 72 Wonder Tower
Dia 9 — Tianmen + Furong
★ Monte Tianmen — teleférico mais longo do mundo (30 min!) Glass Plank Road Mirantes + 999 degraus até o Portão do Céu ★ Furong Waterfall Noite em Furong District

Dicas essenciais

  • Saia o mais cedo possível para os parques — chegue antes da abertura
  • Ingressos (~R$200–300): incluem tudo na rota
  • CUIDADO COM OS MACACOS: assaltam mochilas sem cerimônia. Bolsa sempre na frente

Logística

  • Tianmen Mountain: leve camada térmica — está bem mais frio lá em cima
  • Não é necessário tour guiado: as rotas são bem sinalizadas, mas nós fechamos um tour de 2 dias pelo GetYourGuide para facilitar a logística dentro do parque — falo mais sobre isso na seção de Passeios abaixo
  • Se tiver medo de alturas, avalie bem — há muitos teleféricos sem alternativa
  • Comida dentro do parque: tem McDonald's e Dicos lá dentro — salvação para quem estiver com dificuldade alimentar na China
! Neblina — a natureza faz o que quer

A neblina em Zhangjiajie pode ser intensa e cobrir completamente as montanhas. Chegamos no Dia 2 para a Ponte de Vidro e o Monte Tianmen cobertos de branco — andamos na vidro e fizemos tirolesa praticamente às cegas. É lindo do seu jeito, mas a vista icônica pode não aparecer. Pesquise o clima antes de ir e vá com a expectativa alinhada. O 72 Towers à noite é um ótimo plano B.

Onde comer em Zhangjiajie

Imperdível
Sanxiaguo (三下锅)
O prato mais típico da região — panela com porco defumado, tofu e rabanete em caldo apimentado. Qualquer restaurante local serve; peça por foto
Nimo Kitchen
Para quem bater saudade de comida ocidental — sanduíches, massas e ambiente descontraído. Perto da área do parque
McDonald's / Dicos — dentro do parque
Sim, tem fast food lá dentro. Para dias de chuva e neblina em que a vontade de aventura gastronômica vai a zero
Xibu Street (溪布街)
A rua de comida mais movimentada da área de Wulingyuan — tofu frito, pato temperado, espetinhos e tudo que o estômago aguentar
Hotel: Zhangjiajie Huatian Hotel ↗ — 4 noites
04
Chongqing
Dias 10, 11 e 12 · 3 dias

Chongqing é um delírio cyberpunk. Templos centenários escondidos entre arranha-céus gigantes, metrô que passa por dentro de edifícios, ruas que mudam de nível dependendo do andar que você sai.

Dia 10 — A cidade
★ Hongya Cave à noite Yangjiaping Street + Jiefangbei Square Edifício Kuixing Rua Velha de Longmenhao ★ Raffles City Chongqing
Dia 11 — Pontos urbanos
★ Zoológico de Chongqing — Pandas Gigantes ★ Estação Liziba — metrô que passa dentro do prédio Ciqikou Ancient Town Mountain City Footpath Eling Park
Dia 12 — Drones + compras
★ Show de drones — Changjiahui Shopping Park Outlets (ANTA vale, marcas internacionais não) ★ Underground City Old Hot Pot

Dicas essenciais

  • Hongya Cave: vá com paciência. Melhor aproveitado à noite
  • Underground City Old Hot Pot — hotpot dentro de um bunker da 2ª guerra. Surreal

Drones + compras

  • Show de drones: Changjiahui Shopping Park / Nanbin Road, L4 ou L6. Chegue 2h antes
  • Outlets: preço de Brasil para marcas internacionais. ANTA é a exceção que vale
  • A refeição mais barata da viagem inteira pode ser aqui

Onde comer em Chongqing

Imperdível
Underground City Old Hot Pot
Hotpot dentro de um bunker da 2ª guerra mundial. A experiência vale mais que a comida em si — surreal e único em Chongqing
Zhoushixiong Hot Pot
O mais indicado para turistas — equilibra o sabor autêntico com um ambiente mais acessível para quem não está acostumado com o nível de pimenta local
Ciqikou Ancient Town — comida de rua
A vila antiga tem uma das melhores concentrações de comida de rua barata — espetinhos, dumplings fritos, bolinhos e a menor refeição completa da viagem
Haidilao Hot Pot
A rede mais famosa de hotpot da China — serviço impecável, fila (mas tem fila-virtual), e é uma experiência diferente do hotpot de rua. Mais caro, mais controlado
05
Beijing (Pequim)
Dias 13, 14, 15 e 16 · 3,5 dias
🎟 Muralha da China ↗ 🎟 Cidade Proibida + Tiananmen ↗ 🎟 Templo do Céu ↗

A capital. Imponente, histórica, cheia de camadas. Não é a cidade mais bonita do roteiro, mas é a mais densa em significado histórico. Cada dia tem um tema diferente.

Dia 13 — Hutongs e lagos
★ Nanluoguxiang + hutongs Houhai Lake Hutong Wudaoying Guijie Street — Street of Gastronomy
Dia 14 — Monumentos imperiais
★ Praça Tiananmen Zhengyangmen ★ Cidade Proibida Jingshan Park ★ Templo do Céu Rua Qianmen Reserve tudo pelo GetYourGuide ↗
Dia 15 — Muralha + vida noturna
★ Muralha da China — rota Mutianyu Reserve pelo GetYourGuide ↗ · saia cedo Sanlitun à noite
Dia 16 — Arte e cultura
★ Lama Temple ★ 798 Art Zone Museu Nacional da China Suzhou Street Rua Wangfujing

Dicas essenciais

  • Cidade Proibida e Tiananmen: reserve com antecedência — há rigor de horários
  • Muralha: leva ~1h30 de traslado, lota até o meio da manhã. Tênis obrigatório

Destaques

  • Lama Temple: experiência budista impactante — um dos templos mais belos que visitei
  • 798 Art Zone: um dos bairros criativos mais interessantes da Ásia
Atenção: escolha o trecho certo da Muralha

A Muralha não é uma coisa só — o trecho que você escolhe muda 100% a experiência. Badaling é o mais famoso e o mais caótico: superlotado, mal dá pra andar. Mutianyu é a melhor opção: menos cheio, boa estrutura e tem tobogã para descer (vale muito). Existem também trechos mais selvagens para quem quer trilha. Pesquise antes de fechar o passeio — cair no trecho errado estraga o dia. E vá de manhã cedo: lota até o meio da manhã.

Onde comer em Beijing

Imperdível
Siji Minfu (四季民福)
O pato de Pequim mais aclamado pelos locais — vista do fosso da Cidade Proibida, mas com fila de até 2h. Vá cedo ou use a fila virtual pelo WeChat
Quanjude (全聚德)
O restaurante de pato mais antigo e tradicional de Beijing, mais de 130 anos. Turístico, mas com cerimonial de corte do pato na mesa que vale a experiência
Mercado Noturno de Wangfujing
Se quiser ver os famosos espetinhos de escorpião e larva — é aqui. Turístico, mas uma experiência visual única. A maioria dos turistas fotografa sem comer
Guijie Street — "Rua da Gastronomia"
A rua mais movimentada de Beijing para jantar — dezenas de restaurantes de todos os estilos, abertos até tarde. Ótima para explorar sem reserva
06
Shanghai
Dias 17, 18 e 19 · 3 dias

A mais ocidentalizada de todas. Arquitetura moderna, skyline que deixa boquiaberto, Disney, vida noturna intensa e ainda uma vila antiga escondida a poucos quilômetros. Shanghai tem ritmo e personalidade próprios.

Dia 17 — Centro histórico e Bund
Yuyuan Old Street ★ Jardim Yu (chegue cedo!) ★ The Bund ★ Oriental Pearl Tower à noite Nanjing Road + Nanjinglu Street
Dia 18 — Shanghai Disney (dia inteiro)
★ Shanghai Disneyland — um dos melhores parques da Disney no mundo ↳ Compre ingresso com antecedência. Vá com plano de atração
Dia 19 — Arredores e bairros
★ Zhujiajiao Ancient Town Jing'an Temple ★ Starbucks Reserve Roastery (Nanjing Road West) 1.000 Trees (Tian Qian Shu) Jin Mao Tower Tianzifang People's Square

Onde comer em Shanghai

3 Warehouse
Ambiente futurista e diferentão — vale pela experiência visual
Michelin
Ren He Guan
Estrela Michelin e surpreendentemente acessível
Yaba Shengjian (Linddun Road)
Sheng Jian Bao — dumplings fritos, clássico de Shanghai
Michelin
Wei Xiang Zhai
Noodles — um dos mais tradicionais da cidade
Michelin
Da Hu Chun
Pan fried bun — bolinho frito que não decepciona
Jia Jia Tang Bao
Noodles e tang bao — fila que vale
Apoli Ita Bakery
Padaria — boa pedida para o café da manhã
Yang's Fried Dumplings
Xiao Yang Sheng Jian — ícone da cidade
Para pedir: Xiao Long Bao (dumpling com caldo) e Sheng Jian Bao (dumpling frito) são os dois pratos que você não pode deixar de experimentar em Shanghai.
Shanghai para quem gosta de correr

Das 8 cidades do roteiro, Shanghai foi a melhor para corridas longas — orla extensa, parques arborizados, segurança total. Fiz longões de 25km sem preocupação nenhuma. Se você corre, coloca isso na agenda.

07
Wangxian Valley
Dias 20 e 21 · 1,5 dias

A parada mais surpresa de todo o roteiro — e também a mais honesta de contar. Wangxian Valley (Shangrao City) é visualmente deslumbrante, mas o que a internet não te conta: era uma mina de granito abandonada que o governo transformou num parque temático há poucos anos. Não é uma vila histórica milenar. É um cenário construído para turismo — bonito, mas artificial. De dia tem cara de shopping ao ar livre com lojas e restaurantes por todo lado. A magia acontece mesmo à noite, quando as luzes acendem.

Dias 20 e 21
Torre do Grou Branco ★ Penhasco de Baihe ★ Cliff Plank Road Ponte Baige Sankouguo — Três Buracos de Chaleira ★ Cachoeira Wangxian Rua Velha de Yanpu Praça Zongshi

Dicas essenciais

  • Lugar fora do radar — prepare-se para muito menos inglês por aqui
  • Leve roupas adequadas para trilha e caminhada em penhascos
  • A ponte de vidro pode ser intimidadora — vá avisado

Logística

  • A logística pode ser mais complexa — pesquise com antecedência como chegar
  • Perfeito para um ritmo mais lento após os dias intensos em Shanghai
Hotel: Wanda Realm Shangrao ↗ — 1 noite
08
Hong Kong (saída)
Dias 22, 23 e 24 · 3 dias

Hong Kong de volta, desta vez com mais tempo para explorar. A cidade tem uma energia completamente diferente da China continental — mais cosmopolita, mais anglófona, mais cara.

Dia 22 — Kowloon
Templo de Wong Tai Sin ★ Tsim Sha Tsui Avenue of Stars HK ★ Victoria Harbour à noite ★ Temple Street Night Market Mong Kok Street Markets
Dia 23 — Hong Kong Island
★ Victoria Peak + The Peak Tram Man Mo Temple Central-Mid-Levels Escalators Causeway Bay ★ Lan Kwai Fong à noite
Dia 24 — Partida
✈ Aeroporto — deixe tempo generoso para check-in internacional

Dicas essenciais

  • Victoria Peak: vá no começo da manhã ou fim de tarde para a melhor luz
  • Peak Tram: fila pode ser longa — compre ingresso antecipado com hora marcada

Destaques

  • Temple Street Night Market: sábado à noite é o pico — vivo, caótico e divertido
  • Lan Kwai Fong: a melhor área de bares e vida noturna de HK
  • Apple em HK: preço competitivo e sem imposto — melhor lugar do roteiro para comprar eletrônicos Apple
Disney Hong Kong — compre o ingresso pelo Trip.com

Tivemos problema ao tentar comprar o ingresso da Disney HK diretamente com cartão brasileiro — recusa frequente. A solução foi comprar pelo Trip.com, que além de aceitar sem problema saiu até mais barato. Se for à Disney de Hong Kong, evite comprar direto no site oficial com cartão BR.

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Onde comer em Hong Kong

Michelin Bib Gourmand
Tim Ho Wan
O dim sum mais famoso do mundo com estrela Michelin — e acessível. Os pãezinhos de porco BBQ são lendários
Kam's Roast Goose (甘牌燒鵝)
Estrela Michelin há 10 anos — ganso assado clássico de Wan Chai. O prato mais tradicional de HK, muito diferente do que comemos no resto da China
Kam Wah Cafe
Para o café da manhã: o "pineapple bun" (pão doce com manteiga) quentinho é uma das experiências gastronômicas mais honestas de Hong Kong
Praças de alimentação dos shoppings
HK tem shoppings com food courts incríveis — muito mais variedade e padrão que o restante da China. Ótima opção para quem ficou sofrendo com a comida até chegar aqui
09
Capítulo 9
Passeios e reservas
Como planejar sem perder tempo

A infraestrutura turística da China não é direcionada a ocidentais na maioria dos lugares. Os apps locais são em chinês, o cartão internacional frequentemente é recusado, e navegar por bilheterias sem falar a língua pode ser a parte mais estressante da viagem. Tours com guia valem muito — e a escolha de onde comprar faz toda a diferença.

Por que usamos o GetYourGuide

Preciso ser honesto sobre uma coisa: estou compartilhando esse link porque realmente fizemos os passeios por lá — não para ganhar likes ou comissão. Testei na prática e funcionou bem. Se não tivesse funcionado, não estaria aqui recomendando.

Planejar uma viagem para a China é incrível, mas tentar reservar os ingressos lá pode virar um verdadeiro pesadelo. Os aplicativos chineses são confusos para turistas e quase sempre recusam o cartão de crédito brasileiro. A nossa salvação para não perder tempo e fugir desse stress foi reservar tudo pelo GetYourGuide. É super seguro, o aplicativo é totalmente em português e o pagamento com cartão do Brasil funciona sem dor de cabeça.

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Os passeios que fizemos e aprovamos

Esses são os passeios reais que contratamos — não sugestões genéricas. Cada um deles valeu o que pagamos. Os links abaixo vão direto para os passeios no app.

Beijing
Muralha da China — Transfer Privado
Rota Mutianyu, menos lotada + tobogã no final
Ver passeio
Cidade Proibida — Ingresso
Acesso direto sem fila nas bilheterias chinesas
Ver passeio
Praça da Paz Celestial (Tiananmen) — Ingresso
Mesmo link da Cidade Proibida
Ver passeio
Templo do Céu — Ingresso
Um dos templos mais bonitos de Beijing
Ver passeio
Zhangjiajie
Guia de 2 dias em inglês
Zhangjiajie é um labirinto sem guia. Valeu cada centavo — especialmente no primeiro dia no East Gate
Ver passeio
Guilin
Tour completo
Reed Flute Cave, montanhas karst, barco de bambu pelo rio e o espetáculo Impressions of Liu Sanjie
Ver passeio
! Tours em inglês — especifique SEMPRE

A maioria dos tours é conduzida em chinês. Ao comprar pelo GetYourGuide, filtre por tours em inglês ou especifique na hora da compra. O preço entre agências costuma ser bem uniforme — não tem golpe de preço.

Outras formas de reservar

Reconhecimento facial

Em muitos parques e atrações, você só precisa do passaporte na entrada — depois disso, o acesso é feito 100% por reconhecimento facial. Nem precisa tirar o documento da bolsa no meio da fila.

10
Capítulo 10
Custos
A conta chegou — o que 20 dias na China realmente custam

A China é cara ou barata? A verdade honesta: este roteiro de 20 dias custa bem menos que o mesmo na Europa — mas não é o destino ultrabarganha que as pessoas imaginam. O voo dói, as atrações são salgadas, mas viver lá dentro é muito mais barato do que qualquer viagem ocidental equivalente.

Abaixo estão os meus gastos reais por categoria. A versão econômica foi mapeada durante o planejamento da viagem: quando eu ainda não tinha os gastos confirmados, estimei com base em pesquisa de preços, na minha experiência in loco e com apoio do ChatGPT e do Gemini para complementar onde não tinha dados precisos.

🧮 Calculadora de custo estimado — baseada na minha experiência
20 dias
Estimativa total
R$20.930
Por dia
R$1.047

* Inclui passagem aérea (R$5.137 fixo). Referências: econômico 20 dias = R$13.024 · confortável 20 dias = R$20.930.

✈ Passagem aérea — o maior vilão
O maior custo da viagem, sem discussão. Em geral custa entre R$7.000–8.000 — conseguimos R$5.137 via nuViagens, monitorando 8 meses antes e comprando exatamente 6 meses antes. Parcelado em 8x sem juros.
R$5.137
por pessoa · nossa exp.
mercado: R$7–8k
🚄 Trem bala — caro, mas justo
Rodamos 6.000 km a 350 km/h. Alguns trechos na executiva, outros na 1ª classe. Caro? Sim. Mas é a experiência do roteiro — e muito mais barato que qualquer voo equivalente na Europa.
R$4.975
nossa experiência
só 2ª classe: R$2.863
🏨 Hotéis — onde você se dá bem
Hotéis incríveis, alguns com vista de fazer o queixo cair. Você dorme como um rei por preço de pousada no Brasil. Reservamos tudo pelo nuViagens em 8x sem juros.
R$4.117
nossa experiência
versão econômica: R$2.105
🏔 Atrações — onde normalmente não gasto tanto
Optei por transfers exclusivos e guias em inglês para evitar perrengue. Tudo isso poderia ser bem mais barato — mas fiz escolhas confortáveis de propósito.
R$3.663
nossa experiência
versão econômica: R$1.240
🥢 Comida — barata, mas difícil
A grande surpresa positiva da China é o preço — uma refeição completa sai por R$30. Mas não confunda barato com saboroso: a culinária chinesa é muito diferente do nosso paladar. Leia o capítulo de comida antes de criar expectativas.
R$2.291
nossa experiência
versão econômica: R$1.500
🚗 Transporte local — baratíssimo
O Didi foi uma surpresa enorme. Não costumamos usar Uber em viagens, mas lá usamos muito — é ridiculamente barato. O metrô é pago por distância e a maioria das corridas não passa de R$2.
R$503
nossa experiência
versão econômica: R$178
📲 Internet e apps — não dá pra economizar aqui
Sem internet e VPN, você não compra nem uma água na rua. Invista nisso — não é lugar para economizar. eSIM, chip físico e VPN entram nessa conta.
R$244
nossa experiência
Nossa experiência completa — por pessoa
R$20.930
por pessoa · 20 dias · viagem confortável
Versão econômica estimada
R$13.024
estimativa baseada em pesquisa + experiência in loco
Comparativo com Europa e Nova York

Perto de Nova York ou Paris, a China entrega muito mais por muito menos. O que você gastaria em 7 dias de Europa confortável paga 20 dias na China — com hotel bom, trem bala e restaurantes de verdade. A passagem é o investimento inicial. O restante da conta impressiona quem vem de qualquer destino ocidental.

Compras

A China é boa para compras em algumas categorias — mas não é o paraíso de preço que as pessoas imaginam. Depende muito do que você busca.

! Outlets em Chongqing: a verdade que ninguém conta

Fomos em 3 outlets — West Outlets Shopping Plaza, Florentia Village Chongqing e Sasseur Outlets / Liangjiang. Pra ser sincero? Não é barato como eu pensava. Marcas internacionais estão com preço de Brasil, às vezes mais caro. A exceção que valeu muito: marcas nacionais como ANTA — tênis de boa qualidade por um preço que faz sentido.

11
Capítulo 11
Valeu a pena?
A resposta honesta de quem foi
"Sim. Mil vezes sim, mas muito mais preparado do que quando eu fui. Por isso escrevi esse guia prático, pra compartilhar o que aprendemos lá."

A China não é uma viagem fácil. Isso precisa ser dito. A língua é um desafio real, o Google não funciona, os apps são diferentes, o intestino precisa de adaptação e a distância é imensa.

Mas a China também é um país de uma riqueza cultural absurda, com paisagens que deixam sem palavras, culinária que surpreende a cada refeição, tecnologia que envergonha o ocidente e um ritmo de vida fascinante que não existe em lugar nenhum do mundo.

Vai adorar se você...

• Tem curiosidade genuína por culturas muito diferentes
• Se adapta bem a imprevistos e sabe rir dos perrengues
• Quer sair da bolha do turismo ocidental
• Aprecia natureza, história e comida exótica
• Está disposto a se preparar bem antes de ir

! Pense bem se você...

• Espera conforto europeu ou comunicação fácil
• Tem fobia severa de alturas (especialmente Zhangjiajie)
• Quer uma viagem relaxante e sem desafios logísticos

Se depois de ler esse guia você ainda está animado — e eu aposto que está — então a China está esperando por você. Boa viagem. ✈

Se te ajudou, compartilha e me dê um feedback no meu Instagram. 🙏

@luccaslopes ↗