Já conheci 32 países e, de longe, a China foi o mais difícil. Comecei recentemente a compartilhar minhas experiências de viagem no Instagram e quero fazer isso de forma super sincera e transparente — sem romantizar, sem publi disfarçada de conteúdo.
Esse material foi feito com muito detalhe e carinho porque eu vi o quanto meus primeiros seguidores perceberam que posso contribuir com algo real. Não vivo do Instagram — pra mim é hobby — então não preciso cobrar por isso. Quero que chegue no maior número de pessoas possível. Se te ajudar, compartilha e me dê um feedback no vídeo que compartilhei esse ebook.
Uma palavra honesta de quem foi
Viajar pra China é difícil. Eu não vou romantizar isso. Mas foi, disparado, uma das viagens mais marcantes da minha vida — e eu quero que a sua seja ainda melhor do que a minha, porque você vai ter algo que eu não tive: este guia.
Tudo que está aqui é fruto de pesquisa antes de embarcar e de coisas que aprendi na raça, errando e acertando em cidades onde quase ninguém fala inglês, o Google Maps não funciona e o cardápio pode estar escrito em algo que parece arte abstrata — e mesmo com tradutor, fica muito difícil entender o que é.
Leia o capítulo de Planejamento antes de comprar passagem. Leve o guia no celular. Os capítulos de cidades podem ser consultados separadamente.
Dicas em verde = ouro puro. Alertas em laranja = aprenda com meu erro.
O roteiro que eu fiz
20 dias de viagem, 8 cidades, tudo feito por trilhos a 350 km/h. Começamos e terminamos em Hong Kong, passamos por paisagens tão absurdas que parecem inventadas — montanhas que desafiam a gravidade, cachoeiras dentro de cidades, penhascos com estradas de vidro suspensas no ar — cidades que parecem ficção científica e 3.000 anos de história comprimidos num único país.
👇 Esta é uma visão geral do roteiro. Clique em qualquer destino para ir direto ao guia completo daquela cidade mais abaixo.
| Destino | Dias | Destaque |
|---|---|---|
| Hong Kong (chegada) ↓ | 0,5 dia | Ponto de entrada — se acomodar e respirar |
| Guilin ↓ | 2 dias | Cruzeiro Rio Li, pagodas, Xianggong Hill |
| Zhangjiajie + Furong ↓ | 3,5 dias | Montanhas de Avatar, Tianmen, Furong District |
| Chongqing ↓ | 3 dias | Cyberpunk, pandas, drones, Estação Liziba |
| Beijing (Pequim) ↓ | 3,5 dias | Muralha, Cidade Proibida, hutongs, arte |
| Shanghai ↓ | 3 dias | The Bund, Disney, Zhujiajiao, vida noturna |
| Wangxian Valley ↓ | 1,5 dias | Natureza escondida, penhascos, ponte de vidro |
| Hong Kong (saída) ↓ | 3 dias | Victoria Peak, templos, mercados, Lan Kwai Fong |
Uma frase por cidade — minha experiência
Cada cidade na China parece um país diferente. Aqui está a impressão real, sem romantizar:
Qual China você quer ver?
A China é gigante demais para ver tudo. Com 20 dias tivemos que cortar muita coisa — e ainda assim foi puxado. Antes de montar o roteiro, decida qual China você quer viver:
Sendo sincero: Wangxian Valley e Hong Kong eu não colocaria de novo no roteiro. Wangxian é cenário construído para foto — bonito, mas sem história real; e Hong Kong, apesar de fácil, não impressiona tanto quanto o restante. Guilin eu repetiria, mas com pesquisa muito criteriosa de época — a neblina arruinou boa parte da nossa experiência, e a paisagem merece ser vista com céu aberto. Chongqing também repetiria: a cidade não é aquele tetris todo que a internet vende, mas o hotpot no bunker e os drones valem — só saiba que as expectativas precisam estar alinhadas com a realidade.
Se você chegar por HK e pegar trem para a China continental (como fizemos no trecho HK › Guilin), você passa pela imigração chinesa direto na estação de trem. É simples e rápido: cadastro numa máquina automática, digitais e dados — e pronto. Sem fila longa, sem estresse.
Por onde entrar: isso muda tudo no seu roteiro. Entre por Beijing, Shanghai ou Hong Kong e escolha o voo mais barato entre os três. Se entrar por Hong Kong, use só como porta de entrada — não gaste dias explorando a cidade quando há opções muito melhores no roteiro.
Quando ir
A China tem clima muito variado dependendo da região e da época. Eu fui em abril de 2026 (primavera) — temperaturas agradáveis na maior parte do roteiro, paisagens verdes e cerejeiras ainda floridas em algumas regiões. Pode chover, então leve um corta-vento leve. Quem prefere clima mais seco pode considerar o outono (setembro–novembro).
Golden Week de outubro (1–7 out): o maior feriado do ano — o país inteiro viaja, tudo lota e os preços disparam. Também fique de olho no Ano Novo Chinês (jan/fev): semana de feriado com migração massiva e muitas lojas fechadas. Dia do Trabalhador (1–5 maio): outra semana de feriado prolongado.
| Estação | Clima | Prós / Contras |
|---|---|---|
| Primavera (mar–mai) FUI | Ameno, pode chover | Paisagens verdes, flores. Ótima opção com corta-vento |
| Verão (jun–ago) | Muito quente e úmido | Paisagens exuberantes, mas calor intenso |
| Outono (set–nov) | Ideal — ameno e seco | Excelente opção. Evite Golden Week (out) |
| Inverno (dez–fev) | Frio (Norte) | Menos turistas, mas muito frio em Beijing |
✅ Checklist de planejamento
Marque cada item conforme for preparando a viagem. O progresso é salvo no seu navegador.
- Passaporte válido (mínimo 6 meses de validade)
- Verificar isenção de visto no site do consulado
- Comprar passagem aérea (monitorar 8 meses antes, comprar 6 meses antes)
- Contratar seguro viagem (ou emitir apólice Mastercard Black)
- Instalar e configurar AliPay com cartão internacional
- Instalar e configurar WeChat
- Comprar eSIM ou chip físico para a China
- Instalar e configurar VPN ANTES de embarcar
- Baixar Google Tradutor com pacote offline do chinês
- Baixar Apple Maps ou Amap para navegação
- Reservar hotéis pelo nuViagens ou Trip.com
- Fechar passeios pelo GetYourGuide (Muralha, Zhangjiajie, Guilin)
Visto e imigração
Brasileiros têm isenção de visto para a China! Não precisa de nada além do passaporte válido. Eu confesso que fui com bastante medo — as informações sobre isso são super escassas na internet e fica difícil confiar. Mas foi SUPER de boa. Pode ir sem medo.
Essa isenção é válida até o final de 2026 e pode ser renovada (ou não) depois disso. Sempre confirme no site oficial antes de viajar — essa informação pode mudar: br.china-embassy.gov.cn
Caso a isenção tenha expirado quando você for viajar, o processo para tirar o visto de turismo chinês (tipo L) segue os passos abaixo. O custo gira em torno de R$200–300 dependendo da urgência e da modalidade.
Passo a passo para tirar o visto chinês
Acesse o site oficial do consulado
Vá até br.china-embassy.gov.cn e localize a seção de solicitação de visto. O Brasil conta com consulados em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Preencha o formulário online (Formulário V.2013)
Acesse o sistema COVA (Chinese Online Visa Application) em cova.cs.mfa.gov.cn. Preencha com atenção: endereço na China (use o hotel que vai se hospedar), itinerário detalhado e dados do passaporte. Imprima e assine ao final.
Reúna os documentos necessários
Lista básica para visto de turismo (tipo L):
- Passaporte original com validade mínima de 6 meses e ao menos 2 páginas em branco
- 1 foto 3×4 recente (fundo branco, rosto descoberto)
- Formulário V.2013 preenchido e assinado
- Comprovante de passagem aérea (ida e volta)
- Comprovante de hospedagem (reserva do hotel)
- Comprovante de renda ou extrato bancário (últimos 3 meses)
- Para menores de idade: documentos adicionais dos responsáveis
Agende e compareça ao consulado (ou envie pelos Correios)
Muitos consulados permitem entrega pelos Correios com envelope de retorno pré-pago. Se for pessoalmente, agende horário pelo site. Leve todos os documentos em ordem e evite agendamentos próximos à data da viagem.
Pague a taxa consular
O valor varia conforme o prazo: processamento regular (~4 dias úteis) custa em torno de R$220–260. Processamento expresso (2 dias) ou urgente (1 dia) pode custar até R$350–400. Os valores são definidos pelo consulado e podem mudar — confirme no site oficial antes.
Aguarde e retire o passaporte com o visto
O prazo padrão é de 4 dias úteis. Ao retirar, confira se os dados (nome, datas de entrada/saída, número de entradas) estão corretos antes de sair do consulado. O visto de turismo costuma ser de entrada simples ou dupla, válido por 90 dias a partir da emissão.
As autoridades chinesas podem realizar testes de droga aleatórios no aeroporto (via urina ou cabelo). Mesmo que você tenha consumido em um país onde é legalizado, o governo chinês pode te negar entrada. Não acontece sempre, mas existem casos relatados.
Seguro de viagem
Seguro de viagem é indispensável — e a boa notícia é que dá pra conseguir de graça. Nós usamos a garantia da Mastercard Black, que vem inclusa no Cartão Ultravioleta do Nubank. Como compramos as passagens por esse cartão, tivemos direito a emitir a apólice sem nenhum custo adicional.
Se você tem o Cartão Ultravioleta do Nubank (ou outro Mastercard Black), compre sua passagem por ele e verifique o benefício de seguro viagem incluso. A apólice pode ser emitida de graça e é válida por um ano a partir da emissão — então se você for viajar de novo dentro desse período, não precisa reemitir. Muito útil pra quem viaja mais de uma vez por ano.
Para a viagem à China especificamente, não usei outro seguro além do Mastercard, por isso não tenho como recomendar outras opções com propriedade.
Independente de como você contrata, leve o comprovante da apólice impresso. A cobertura médica é especialmente importante — você vai comer coisas novas, caminhar muito mais do que está acostumado e provavelmente pegar algum resfriado de tanto ar-condicionado nos trens hahaha.
Passagem aérea
A passagem é o maior custo da viagem — mas dá pra economizar bastante monitorando com antecedência. Paguei R$5.137 por pessoa, ida e volta, comprando pelo nuViagens, dentro do próprio app do Nubank. Vale muito checar lá antes de qualquer outro lugar — dá pra parcelar em 8x sem juros, o que facilita bastante o planejamento financeiro. Os hotéis também reservei por lá, centralizando tudo no mesmo app.
Voamos pela United Airlines, tudo em econômica. O trajeto funciona, mas é MUITO cansativo — escalas de aproximadamente 2 horas em cada conexão, muita correria. Se você viajar com crianças ou idosos, não recomendo: tivemos que correr em vários momentos. Se o preço for similar, prefira rotas pela Europa ou Ásia.
Onde monitorar antes de comprar
- nuViagens (app Nubank) — onde compramos. Preços competitivos, parcelamento em 8x sem juros e integração com cashback
- Google Flights — crie alertas de preço para a rota e receba notificações automáticas
- Skyscanner — bom para comparar diferentes rotas e escalas
- Kayak — tem função "prever preço" que indica se vale esperar ou comprar
- Melhores passagens aparecem com 3 a 6 meses de antecedência
Dicas sobre rotas e escalas
- Prefira rotas pela Europa ou Ásia — se você não tem visto americano, evite os EUA porque vai precisar mesmo só para escala
- Melhores conexões levam entre 24–28h de viagem total
- Não pegue nada acima de 30h a não ser que seja muito mais barato
- AirChina tem programas de milhas — vale checar se você tem acúmulo
- Lembre: mala despachada em voos domésticos chineses tem limite de 20kg (não 23kg)
Comecei a monitorar os preços 8 meses antes da viagem e comprei exatamente 6 meses antes. O preço foi caindo gradualmente até chegar num patamar bom — aí fechei. Não espere até a última hora: passagens para a China raramente ficam baratas perto da data.
Na China, você vai viver dentro de um ecossistema completamente diferente, e quem não se prepara antes de chegar, sofre na chegada. Sem VPN, você não vai ter acesso ao Google, Instagram e WhatsApp.
Configure todos os aplicativos abaixo com pelo menos 2 semanas de antecedência. Ativar contas e usar cartões num intervalo muito curto pode gerar bloqueio por atividade suspeita.
Internet e eSIM
Assim que você pousar na China, seu WhatsApp, Instagram e Google vão parar de funcionar. Isso não é bug — é o Great Firewall, o sistema de censura digital do governo chinês que bloqueia a maioria dos aplicativos ocidentais. Então antes de embarcar, você precisa resolver duas coisas: como vai ter internet e como vai furar o bloqueio.
VPN nada mais é do que um aplicativo que faz a China acreditar que seu celular está em outro país. Sem ela, Instagram, WhatsApp, Google Maps e YouTube simplesmente não funcionam. Instale e configure ANTES de entrar no país — dentro da China, os sites das VPNs também ficam bloqueados.
As duas opções que testamos
- Instalação com um clique direto pelo app — sem precisar trocar chip físico
- Já fura o bloqueio sem VPN adicional — Instagram e Google funcionam direto
- Funcionou 100% em todas as cidades da China continental
- 100GB por dia — isso mesmo, por dia. Incrível. Dá pra ficar mais barato escolhendo menos dias ou menos dados
- Você consegue acompanhar o consumo direto pelo app
- China Unicom 5G — funciona bem, mas não fura o bloqueio sozinho
- Precisa de VPN separada (usamos NordVPN, ~R$40)
- Demorou 25 dias para chegar ao Brasil — compre com bastante antecedência
- Compramos por precaução, mas o eSIM funcionou 100% — se fosse hoje, iria só com o eSIM
VPN: o que usar
Se você foi pelo chip físico (ou quer ter uma VPN de segurança mesmo com eSIM), as mais confiáveis na China são:
- ExpressVPN — uma das mais consistentes dentro da China
- Astrill VPN — boa reputação específica para o mercado chinês
- LetsVPN — opção mais acessível
- NordVPN — foi a que usamos com o chip físico (~R$40). Funciona, mas tem instabilidades ocasionais
Wi-Fi do hotel bloqueia tudo — mesmo com VPN ativa, o Wi-Fi da maioria dos hotéis na China não deixa acessar redes sociais. Você vai ter que usar seus dados móveis com VPN até dentro do quarto.
Tenha mais de uma VPN instalada — o governo chinês às vezes derruba servidores de VPN. Se uma cair, você usa a outra.
Instale tudo antes de embarcar — dentro da China, os sites das VPNs ficam bloqueados e você não consegue baixar nem ativar nada.
Em Hong Kong, não precisa de nada disso. Qualquer chip internacional funciona normalmente, sem VPN. Usamos o Airalo lá e foi tranquilo — Instagram, Google e WhatsApp funcionam como se estivesse no Brasil.
Outras operadoras de eSIM testadas em outras viagens (não especificamente na China): Airalo, Mobimaster, Nomad, Nubank Ultravioleta, Holafly.
Prepare-se para a experiência mais cashless da sua vida. A China praticamente aboliu o dinheiro físico. Tudo é feito via QR Code — desde o mercadinho na esquina até restaurantes estrelados. Mas para isso funcionar, você precisa de um app. E esse app tem nome.
AliPay: o app mais importante da viagem
Eu usei o AliPay em 95% de todos os pagamentos da viagem. Metrô, Didi, restaurantes, ingressos de parques, lojas de conveniência, mercado, farmácia — tudo. Não é exagero dizer que sem AliPay configurado você vai ter uma viagem muito mais difícil.
O AliPay funciona como uma carteira digital conectada ao seu cartão internacional. Você escaneia o QR Code do estabelecimento (ou mostra o seu para ser escaneado) e pronto — o pagamento é feito em segundos, em yuans, sem precisar de troco, sem precisar de dinheiro físico, sem falar com ninguém.
O WeChat Pay é a alternativa — alguns lugares aceitam só um ou só outro, mas raramente você vai precisar dos dois ao mesmo tempo. Configure o AliPay como prioridade e o WeChat como backup.
Não deixe para fazer isso na China. O processo de cadastro pode exigir validação por SMS, confirmação do cartão, conversão de saldo em yuans e outras etapas que dependem de conexão estável e acesso a aplicativos que podem estar bloqueados lá. Faça tudo antes de embarcar, com calma, em casa. Se deixar pra última hora, vai passar aperto nos primeiros dias.
Use cartões de contas internacionais: Nubank Global, Wise ou C6 Global são os mais fáceis de vincular. IMPORTANTE: o cartão precisa ter algum saldo convertido em yuans para ser validado. Se estiver com saldo zerado, o cadastro vai dar erro — coloque pelo menos um valor pequeno antes de tentar.
QR Code em tudo
Na maioria dos restaurantes, o menu fica num QR Code na mesa. Você escaneia, faz o pedido pelo celular e paga na hora — sem garçom, sem conta, sem confusão. Parece estranho da primeira vez, mas você se acostuma rápido e passa a achar muito mais eficiente.
- Deixe o AliPay sempre aberto e com o QR Code de pagamento acessível
- Em alguns restaurantes você paga quando pede, não no final — fique atento
- Cartão de crédito físico funciona em poucos lugares — não dependa dele
Você provavelmente não vai usar. Mas em lugares muito pequenos, rurais ou fora do circuito turístico principal, pode aparecer algum estabelecimento que não aceita QR Code. Levar o equivalente a R$100 em yuans (cerca de 130–140 CNY) é suficiente pra qualquer emergência. É uma segurança que pesa zero na mala.
Não deixe gorjeta. A prática pode ser considerada ofensiva em muitos contextos. Em compensação, vai ter muita insistência para que você avalie o serviço — as avaliações digitais são vitais para os negócios lá.
Trens de alta velocidade
Nós rodamos 6.000 km pela China a 350 km/h sem pisar em um único aeroporto. Viajar de trem aqui é muito mais prático do que qualquer experiência de voo — sem aeroporto distante do centro, sem fila de check-in, sem burocracia. As estações parecem aeroportos gigantes só que no meio da cidade, e os trens não tremem um copo d'água na velocidade máxima. É coisa de outro mundo.
O que saber antes de embarcar
- Chegue com pelo menos 1 hora de antecedência — os trens não esperam, sem exceção
- Seu passaporte é o seu bilhete. O acesso às catracas é feito por reconhecimento facial integrado ao passaporte — sem bilhete impresso, sem e-mail
- Bagagem: sem controle de peso, mas garanta lugar no bagageiro chegando cedo
- Todos os vagões têm tomadas nos assentos e bebedouro de água quente — leve sua garrafa ou um macarrão instantâneo
- Tem lojinhas nas estações para comprar lanchinhos — sempre teve opções disponíveis
Cidades grandes têm múltiplas estações (Norte, Sul, Leste, Oeste). Sempre verifique qual está reservando antes de chamar o Didi. Ex: Chongqingbei ≠ Chongqingnan.
Qual classe escolher?
Onde comprar as passagens — e o perrengue que passamos
A maioria dos turistas compra pelo Trip.com — e funciona, mas tem um detalhe importante que quase arruinou nossa viagem. O app faz uma intenção de compra, não uma compra definitiva. A efetivação do bilhete acontece só faltando 14 dias para a data, quando o app tenta comprar o assento oficial.
Em 2 dos nossos 10 trechos, os assentos esgotaram antes da efetivação. O que acontece: quando o trem lota, o Trip.com tenta comprar o bilhete oficial faltando 14 dias mas não consegue — e você chega na estação sem passagem. Tivemos que correr para comprar conexões de última hora no guichê. Não estou dizendo para não usar o Trip.com, porque é muito mais fácil — mas nossa experiência foi chata. Por isso eu recomendo testar os dois apps: Trip.com para facilidade, Railway 12306 para garantia. A passagem pode ser confirmada até 2 horas antes do embarque — mas não conte com isso.
Esse é o app oficial do governo chinês. Sem taxas, compra 100% garantida na hora. O macete: ele só abre as vendas exatamente 14 dias antes da data do trem. Coloque um despertador e compre no minuto exato — as passagens mais populares esgotam em menos de 1 minuto. Explico o passo a passo completo de como usar o app no meu Instagram.
Quanto custa? Todos os trechos do nosso roteiro
Valores em dólar (USD) por pessoa, com cotação da época. Multiplique pela cotação atual para converter.
| Trecho | Duração / Modo | 2ª Classe | 1ª Classe | Executiva |
|---|---|---|---|---|
| Hong Kong → Guilin | 3h · trem direto | $58 | $93 | $170 |
| Guilin → Zhangjiajie | 6h · 1 baldeação | $49 | $78 | — |
| Zhangjiajie → Chongqing | 2h · direto | $33 | $52 | $100 |
| Chongqing → Beijing | 7h · direto | $130 | $207 | $411 |
| Beijing → Shanghai | 4h · direto | $97 | $163 | $330 |
| Shanghai → Wangxian Valley | 6h · trem + ônibus | $35 | $54 | $101 |
| Wangxian Valley → Hong Kong | 9h · ônibus + trem + metrô | $120 | $190 | $381 |
| Total do roteiro completo | ~R$2.863 | ~R$4.606 | ~R$8.212 | |
Metrô nas cidades
O metrô é a melhor forma de se locomover nas cidades chinesas — rápido, limpo, barato e com sinalização em inglês nas principais cidades. E tem uma coisa que vai te surpreender: praticamente sem fila. Diferente de São Paulo, onde poucas estações concentram todo o fluxo, as cidades chinesas têm uma rede tão densa de estações que o movimento fica distribuído. Você simplesmente entra e embarca.
Passo a passo: usando o metrô pelo AliPay
Abra o AliPay e procure o mini-app do metrô da cidade
Cada cidade tem seu próprio mini-app dentro do AliPay (ex: "Metro Shangai", "Chongqing Rail Transit"). Busque pelo nome da cidade + "metro" na barra de pesquisa do AliPay. Na primeira vez, o app vai pedir para cadastrar seu nome e número de passaporte — faça isso antes de chegar na estação.
Passe pelo raio-x de segurança na entrada
Em todas as estações de metrô da China você vai passar por um raio-x — mochila e bolsas na esteira, você passa pelo detector. É obrigatório, rápido e faz parte da rotina. Não estranhe, não tem como evitar. Tire bolsas dos ombros antes de chegar na fila para agilizar.
Gere o QR Code de embarque no mini-app
Dentro do mini-app do metrô, toque em "Ride" ou "Entrar". Um QR Code vai aparecer na tela — esse é o seu bilhete. O valor é descontado automaticamente do seu AliPay com base na distância percorrida.
Escaneie na catraca de entrada
Aproxime o celular do leitor na catraca, a tela abre e você entra. Simples assim. Não precisa selecionar destino antes — o sistema calcula quando você sair.
Escaneie novamente na saída
Na estação de destino, gere um novo QR Code no mini-app e escaneie na catraca de saída. O valor exato é cobrado nesse momento. Não saia sem escanear — a catraca não abre e você pode ser cobrado por uma distância máxima.
Por incrível que pareça, o metrô chinês não tem aquelas filas intermináveis que a gente sofre em São Paulo. A rede é tão extensa que o fluxo fica bem distribuído. O único ponto de atenção é o raio-x na entrada — mas vai rápido. É só parte da rotina.
- Cadastre nome e passaporte no mini-app antes de chegar na estação — evita travamento na hora
- Sinalização em inglês nas principais cidades — dá pra se virar bem sem saber chinês
- Custo por viagem: entre R$3 e R$10 dependendo da distância
Didi (Uber chinês)
O Didi é baratíssimo, eficiente e a melhor alternativa ao metrô para trajetos mais específicos — quando você está com mala, num horário ruim para o metrô, ou indo a um lugar fora das linhas principais. O melhor: funciona direto dentro do AliPay, sem precisar instalar nenhum app separado.
Passo a passo: chamando um Didi pelo AliPay
Abra o AliPay e busque "Didi"
Na tela inicial do AliPay, procure o ícone do Didi ou digite "Didi" na barra de pesquisa. O mini-app vai abrir direto dentro do AliPay — sem redirecionamento, sem login separado.
Digite o destino
A sua localização atual é detectada automaticamente pelo GPS. Basta digitar o destino no campo de busca — em inglês funciona na maioria das vezes, mas se travar use o Google Tradutor para copiar o nome em chinês e colar.
Escolha o tipo de carro e confirme
O app mostra as opções disponíveis com o preço já fixado — sem surpresa no final. Escolha a categoria desejada (econômico resolve bem na maioria dos casos) e toque em confirmar.
Aguarde e localize o motorista
O app mostra o carro no mapa em tempo real, a placa e o nome do motorista. Como a comunicação pode ser difícil (poucos falam inglês), use o mapa mesmo para se encontrar. Mostrar a tela do app para o motorista resolve quase tudo.
O pagamento é automático
Ao chegar ao destino, o valor é debitado direto do AliPay — sem passar dinheiro, sem máquina de cartão, sem troco. Só descer e ir.
Uma corrida urbana típica custa entre R$15 e R$40. Para referência: trajetos que custariam R$80–100 de Uber no Brasil saem por R$25–35 no Didi. Vale muito a pena nos dias de chuva, com mala ou em horários que o metrô já fechou.
Se passar por Hong Kong: o Uber funciona normalmente lá, sem precisar de Didi. Mas Hong Kong é muito mais cara que o restante da China — as corridas pesam mais no bolso.
Voos internos
Honestidade primeiro: não usamos nenhum voo doméstico no nosso roteiro. Fizemos tudo de trem-bala, e dado tudo que já falamos — pontualidade, preço, conforto, estações no centro da cidade, sem burocracia de aeroporto — eu não recomendaria trocar o trem por avião em nenhum trecho. A experiência do trem na China é boa demais para abrir mão.
Dito isso, se por algum motivo você precisar pegar um voo doméstico (roteiro muito longo, destinos sem conexão ferroviária viável), aqui vão dicas que pesquisei sobre o assunto:
Os voos domésticos chineses têm limites menores do que você está acostumado. Mala despachada: até 20kg (não os 23kg dos internacionais). Bagagem de mão: até 7kg. Vale muito ter uma balança de mala na mochila — barata e evita dor de cabeça no check-in.
- Chegue com 2h de antecedência — os aeroportos chineses são enormes e a logística interna leva tempo
- Power bank: precisa ter certificação CCC para entrar na China — se não tiver, fica retido na alfândega. Para evitar dor de cabeça, compramos o nosso lá mesmo, na loja da Xiaomi. Foi super barato e muito potente. Isqueiro não embarca de jeito nenhum
- Use o Trip.com para comprar voos domésticos — é o mais completo para rotas internas
Uma das melhores surpresas da viagem. A China oferece hotéis muito confortáveis por um preço que envergonha qualquer destino europeu. O que você gastaria num fim de semana num hotel básico em Amsterdam paga uma semana inteira de hotel bom em Beijing.
Onde e como reservamos — e por quê
Reservamos todas as hospedagens pelo nuViagens, dentro do próprio app do Nubank, pelos mesmos motivos que usamos para a passagem. Dois motivos principais:
Outras opções para reservar
- Trip.com — o mais completo e confiável especificamente para hotéis na China. Tem filtro para hotéis que aceitam estrangeiros, o que é essencial
- Booking.com — funciona bem, mas com menos opções locais do que o Trip.com
O que saber antes de reservar
- Nem todo hotel aceita estrangeiros — filtre por esse critério no Trip.com antes de qualquer outra coisa
- Hotéis em Beijing e Shanghai podem ter quartos internos (sem janela) — verifique nas fotos do anúncio
- A maioria dos hotéis tem funcionário dedicado a organizar passeios — use e abuse disso
Se você leu a seção de comida e sentiu que pode ter dificuldade com a culinária chinesa, priorize hotéis com restaurante ocidental dentro. Em todos os hotéis que ficamos, o café da manhã era exclusivamente oriental — macarrão, arroz, verduras. Para quem não está acostumado logo de manhã, pode ser uma experiência bem difícil. Verificar isso antes de reservar faz uma diferença grande no dia a dia da viagem.
Os funcionários dos hotéis na China são extremamente prestativos. Aproveitamos muito isso para organizar passeios, conseguir ingressos de última hora e entender rotas. Pergunte sempre — eles resolvem coisas que você não imaginaria.
Os hotéis onde ficamos
Valores em reais para o total de noites por propriedade, para 2 pessoas.
De 32 países que já conheci, a China foi de longe o maior desafio gastronômico. Nossa expectativa era mergulhar na culinária local — a realidade foi de muita frustração, vários McDonald's para salvar o dia e momentos incríveis no meio. Vou ser honesto sobre tudo.
Antes de tudo: não existe certo ou errado, existe diferença cultural. O Brasil baseia a alimentação em arroz, feijão e carnes grelhadas. A China tem uma lógica diferente — valorizam partes do animal que nós descartamos, texturas que não estamos acostumados e sabores que levam tempo para fazer sentido.
O que você vai encontrar nos pratos
A culinária chinesa tem muito carboidrato (macarrão, arroz), caldos gordurosos e apimentados e pouquíssima proteína comparado ao que estamos acostumados. Os pequenos pedaços de carne que aparecem geralmente são cortes que valorizamos menos: tendões, cartilagens, miúdos, pés de galinha. Nos mercados você vai ver snacks embalados a vácuo de pescoço de pato, sangue coagulado e pé de galinha — não por acidente, por preferência.
Outra diferença: a textura importa mais que o corte. Esqueça o bife macio e suculento. Lá eles valorizam o gelatinoso, o cartilaginoso, o fibroso. É uma virada de chave difícil para o paladar brasileiro.
- Dumplings — deliciosos, fáceis de pedir, salvam qualquer refeição
- Pato de Pequim — gorduroso, mas incrível. Vale a experiência
- Hotpot — e comer dentro de um bunker da 2ª guerra em Chongqing foi surreal
- Noodle — curinga da China, mas sem proteína; ótimo custo-benefício
- Café da manhã — macarrão, arroz e pimenta todo dia. Esqueça a padaria
- Cardápios sem foto e com tradução inútil — "angústia" e "amendoim estranho"
- O "frango" pode ser pato, a "carne especial" pode ser miúdo
- Bebida gelada praticamente inexistente — preferem quente ou temperatura ambiente
- Doces: praticamente zero. A sobremesa chinesa não é pra nós
A dica de ouro: coma nos shoppings
Se você está com receio do padrão de higiene nas ruas — e é um receio válido para o ocidental — vá para os shoppings. Os restaurantes dentro dos shoppings têm padrões bem mais próximos do que estamos acostumados: ambiente controlado, cozinhas visíveis, higiene razoável. Além disso, muitos têm fotos nos cardápios, o que já resolve metade do problema de comunicação.
Na rua o padrão varia muito. Tem lugares ótimos e tem lugares que vão te assustar. Se não tiver disposição para essa roleta, vai de shopping sem culpa.
Por que tem restaurante em toda rua
Os chineses comem fora de casa o tempo todo — e é barato porque funciona assim. Graças ao forte planejamento estatal e a cadeias de distribuição curtíssimas, os ingredientes chegam frescos e baratos direto para os pequenos restaurantes. É uma lógica de abastecimento que não existe no Brasil. O resultado é comida fresca, rápida e acessível em cada esquina — mas escolher onde sentar pode ser um pesadelo, porque tudo parece igual e os tradutores quase não ajudam.
Como o Google não funciona na China, você vai precisar do Dianping (大众点评) — o "Yelp" chinês. É lá que estão as avaliações reais dos restaurantes, com fotos dos pratos e os mais bem avaliados da região. A nota é baseada no paladar oriental, mas já ajuda muito a filtrar o que vale a pena. O app não está disponível para download no Brasil — faça o download quando chegar na China, ou acesse diretamente pelo WeChat: procure pelo Dianping na barra de pesquisa de dentro do app.
Muito se fala da pimenta, mas achamos tranquilo — há opções mais leves e mais intensas. O problema real é a barreira do idioma: sem Google Maps e com cardápios em chinês, você frequentemente não sabe o que está pedindo. Esse é o desafio de verdade.
Farmácia de bolso para a comida
- Imodec (ou similar): indispensável. O intestino pode não avisar muito antes
- Antiemético (bromoprida ou similar): para enjoos
- Antiácido de sua preferência
Dicas práticas no dia a dia
- Use o Google Tradutor com a câmera apontada pro cardápio — ajuda, mas entrega pérolas como "angústia" e "amendoim estranho"
- WeChat tem tradução embutida — útil para se comunicar com garçons
- Fast-food (McDonald's, KFC, Starbucks) existe aos montes — não tenha vergonha de usar quando precisar. Uma hora cansa, mas salva o dia
- Água quente disponível em todo lugar: aeroporto, rodoviária, trem, shopping — totalmente potável
- O café é geralmente terrível. Se precisar de um bom, busque cafeteria especializada ou Starbucks
- Os 7-Eleven e lojas de conveniência têm sanduíches e lanchinhos bem melhores do que os daqui
- Banheiros públicos são abundantes e limpos — não vai ter problema nesse sentido
A China é outro planeta. Se você quer uma viagem boa, o principal ingrediente é respeito e curiosidade — não julgamento. Mas é melhor chegar preparado do que se chocar na primeira hora. Aqui estão os 9 maiores choques culturais que vivi.
Sem filtro nenhum 🔊
Arrotar, peidar e cuspir em público? Normal. Sem vergonha, sem desculpa, sem olhar pra trás. É cultural — eles simplesmente não têm a mesma noção de "constrangimento" que o ocidental tem. Prepare o sistema nervoso.
Fumam em todo lugar 🚬
Dentro de restaurantes, em corredores de shopping, embaixo de placa de "proibido fumar". A cultura do cigarro na China é de outro nível. Se você tem sensibilidade ou filho pequeno, esteja avisado.
Espaço pessoal? Não existe 🚫
Furam fila, entram na sua foto sem pedir e usam celular no viva-voz no metrô sem a menor cerimônia. Não é falta de educação na concepção deles — é só uma noção de espaço coletivo muito diferente da nossa. Foi o que mais me deu trabalho.
A obsessão com pele branca ☀️
A obsessão por pele clara é real e visível. Máscaras no rosto, blusas de manga comprida e sombrinhas no sol de 40 graus — não por calor, mas para não bronzear. É padrão de beleza deles. Estranha no início, mas faz sentido depois que você entende a lógica cultural.
O mito do escorpião frito 🦂
Calma. Você NÃO vai ver escorpião e cachorro pra comer em toda esquina. Isso não faz parte da alimentação cotidiana deles — é pega-turista em mercados específicos em Beijing. A comida chinesa do dia a dia é bem mais próxima do que você imagina. O exótico real está nas texturas e nas partes do animal, não nos bichos.
Água quente pra tudo 🔥
Restaurante? Água quente. Calor de 38 graus? Água quente. Resfriado? Água quente. É uma crença cultural profunda ligada à medicina tradicional chinesa. E tem bebedouro de água fervendo em todo lugar — aeroporto, trem, shopping. Leve sua garrafa.
Máquina do tempo 🕰️
Em 30 segundos você pode sair de um arranha-céu futurista e entrar numa rua de casas de tijolos de 100 anos. A China convive com séculos de história lado a lado com tecnologia que o ocidente ainda não tem. É vertiginoso — mas é exatamente o que faz a viagem ser inesquecível.
Você vai virar celebridade 📸
Em qualquer lugar, a qualquer momento, alguém vai te puxar pra tirar uma foto porque você é ocidental. Acontece especialmente fora dos grandes centros. Sorria, aceite — e guarde como memória. É um dos momentos mais genuínos que você vai ter com os locais.
A segurança que envergonha o ocidente 🛡️
Esse é o lado que poucos falam: a China é um dos países mais seguros do mundo. Câmeras em todo lugar, reconhecimento facial na entrada de parques, trens e metrô que funcionam no horário. Você anda à noite sem medo. É uma contradição — controle total e, ao mesmo tempo, uma sensação de liberdade de movimento que raramente se tem em grandes cidades ocidentais.
Dicas de sobrevivência cultural
- Leve lenço umedecido SEMPRE — compre na Miniso. São pequenos o suficiente pra qualquer bolso
- Não entre em casas de chá a convite de estranhos na rua — é golpe clássico de turista
- Não compre desodorante lá — os chineses produzem menos odor corporal e o produto pode ser difícil de encontrar
- Polidez básica no idioma (olá, obrigado, com licença) vai longe — as pessoas valorizam o esforço
- Os chineses são tímidos numa primeira impressão, mas extremamente solícitos quando você pede ajuda
- Cuidado com motos e bicicletas elétricas na calçada — são silenciosas e aparecem do nada. É comum andarem na calçada sem avisar
- São mais de 700 milhões de câmeras de segurança pelo país. A sensação de segurança é real — perguntamos a moradores e disseram que é possível deixar pertences sem medo
- É muito comum ver chineses na posição de cócoras esperando o metrô, o táxi, na fila, em qualquer lugar. É cultural, não é descaso
- Limpeza de ouvido: se tiver oportunidade, faça — é muito comum na China e vale muito a pena. Massagem de corpo também: é bem forte e pode doer na hora, mas a sensação depois é incrível
- Se você curte correr: a China é excelente para corridas longas. Segura, com belas orlas e parques. Fiz longões de 25km em várias cidades sem nenhuma preocupação com segurança
Idioma e comunicação
Vou ser direto: a comunicação na China é difícil. Não é um desafio pequeno que você resolve com um app — é uma barreira real que vai estar presente em 90% das situações fora de Hong Kong. Prepare-se mentalmente para isso antes de embarcar.
Inglês? Raríssimo. E quando alguém fala, é tão básico que serve só pra comunicação super simples — "yes", "no", "how much". Mesmo em cidades grandes como Shanghai e Beijing, o inglês fluente é exceção, não regra. No interior da China, praticamente inexistente.
Praticamente não usamos o tradutor. A maioria fala inglês com desenvoltura. É outra realidade.
Tradutor em praticamente 100% das interações. Mesmo assim, nem sempre funcionou — às vezes a conversa ficou truncada mesmo com o app na tela.
A experiência que tivemos repetidas vezes: você mostra a tradução na tela, a pessoa lê, olha pra você, tenta responder em chinês, você não entende, ela tenta gesticular, você tenta gesticular de volta, e no final — com paciência de ambos os lados — o entendimento chega. Lento, às vezes frustrante, mas sempre chegou.
Seja paciente e atencioso com a pessoa. Os chineses não são frios — eles são tímidos com estrangeiros numa primeira impressão. Quando você demonstra paciência e respeito, eles correspondem com uma generosidade enorme. A barreira do idioma existe, mas a boa vontade é recíproca. Você vai receber de volta o que você emitir.
Ferramentas que realmente ajudaram
- Google Tradutor com pacote offline do chinês — baixe antes de embarcar. A função de câmera (apontar pro texto) é indispensável em cardápios e placas
- WeChat — tem tradução integrada direto nas conversas. Útil para se comunicar com o hotel e prestadores de serviço
- Mostrar imagens em vez de palavras — foto do destino no celular, foto do prato que quer pedir. Vale mais que qualquer tradução
- Gestos e mímica — subestimados, mas resolveram mais situações do que esperávamos
8 destinos ao longo de quase 3 semanas — começando e terminando em Hong Kong. Cada lugar era completamente diferente do anterior, e é exatamente isso que faz esse roteiro tão especial.
Hong Kong foi a porta de entrada da viagem. É completamente diferente da China continental — aqui o Google funciona, a maioria fala inglês e o Uber opera normalmente. Mas é cara pra caramba. Use o tempo de chegada para se acomodar, trocar dinheiro e respirar antes de entrar de cabeça na aventura.
Não perca
- Aeroporto bem conectado ao centro via metrô (MTR)
- Trocar dinheiro por HKD — cartão funciona bem, mas tenha algum físico
- Victoria Harbour de noite já vale a pena se tiver energia
Dicas
- Uber funciona normalmente aqui — diferente da China continental (onde é Didi)
- Hong Kong é muito mais cara que qualquer cidade chinesa — controle os gastos
- O metrô (MTR) é excelente e cobre praticamente tudo
Guilin foi uma das surpresas mais bonitas da viagem. Cidade menor, mais tranquila, com aquela paisagem de montanhas karst que parece pintura — a mesma que aparece na nota de 20 yuan.
Dicas essenciais
- No rafting: use sapato que pode molhar
- Impressions of Liu Sanjie usa os morros como cenário — não perca
- Compre os bolinhos de tâmara antes do espetáculo
- Restaurante Meijie: peixe na cerveja e berinjela são imperdíveis
Logística
- Feche o tour do lago e do cruzeiro com antecedência — esgotam
- Xianggong Hill: chegue antes do amanhecer — o sunrise é o espetáculo
- Xingping Ancient Town: sem tour confirmado disponível, pesquise na hora
Pegamos uma neblina muito chata que encobriu boa parte das paisagens no Rio Li e na Colina de Xianggong. No sul da China o clima muda bastante e a neblina pode esconder justamente a atração principal. Pesquise obsessivamente a época do ano e a previsão do tempo antes de fechar os passeios — é o principal fator que pode frustrar ou salvar a experiência em Guilin.
Onde comer em Guilin
Se você viu Avatar (o Pocahontas azul), vai reconhecer os paredões e as montanhas flutuantes. Mas nem de perto a tela prepara para a experiência real. Média de 20–30 mil passos por dia — venha em forma.
Dicas essenciais
- Saia o mais cedo possível para os parques — chegue antes da abertura
- Ingressos (~R$200–300): incluem tudo na rota
- CUIDADO COM OS MACACOS: assaltam mochilas sem cerimônia. Bolsa sempre na frente
Logística
- Tianmen Mountain: leve camada térmica — está bem mais frio lá em cima
- Não é necessário tour guiado: as rotas são bem sinalizadas, mas nós fechamos um tour de 2 dias pelo GetYourGuide para facilitar a logística dentro do parque — falo mais sobre isso na seção de Passeios abaixo
- Se tiver medo de alturas, avalie bem — há muitos teleféricos sem alternativa
- Comida dentro do parque: tem McDonald's e Dicos lá dentro — salvação para quem estiver com dificuldade alimentar na China
A neblina em Zhangjiajie pode ser intensa e cobrir completamente as montanhas. Chegamos no Dia 2 para a Ponte de Vidro e o Monte Tianmen cobertos de branco — andamos na vidro e fizemos tirolesa praticamente às cegas. É lindo do seu jeito, mas a vista icônica pode não aparecer. Pesquise o clima antes de ir e vá com a expectativa alinhada. O 72 Towers à noite é um ótimo plano B.
Onde comer em Zhangjiajie
Chongqing é um delírio cyberpunk. Templos centenários escondidos entre arranha-céus gigantes, metrô que passa por dentro de edifícios, ruas que mudam de nível dependendo do andar que você sai.
Dicas essenciais
- Hongya Cave: vá com paciência. Melhor aproveitado à noite
- Underground City Old Hot Pot — hotpot dentro de um bunker da 2ª guerra. Surreal
Drones + compras
- Show de drones: Changjiahui Shopping Park / Nanbin Road, L4 ou L6. Chegue 2h antes
- Outlets: preço de Brasil para marcas internacionais. ANTA é a exceção que vale
- A refeição mais barata da viagem inteira pode ser aqui
Onde comer em Chongqing
A capital. Imponente, histórica, cheia de camadas. Não é a cidade mais bonita do roteiro, mas é a mais densa em significado histórico. Cada dia tem um tema diferente.
Dicas essenciais
- Cidade Proibida e Tiananmen: reserve com antecedência — há rigor de horários
- Muralha: leva ~1h30 de traslado, lota até o meio da manhã. Tênis obrigatório
Destaques
- Lama Temple: experiência budista impactante — um dos templos mais belos que visitei
- 798 Art Zone: um dos bairros criativos mais interessantes da Ásia
A Muralha não é uma coisa só — o trecho que você escolhe muda 100% a experiência. Badaling é o mais famoso e o mais caótico: superlotado, mal dá pra andar. Mutianyu é a melhor opção: menos cheio, boa estrutura e tem tobogã para descer (vale muito). Existem também trechos mais selvagens para quem quer trilha. Pesquise antes de fechar o passeio — cair no trecho errado estraga o dia. E vá de manhã cedo: lota até o meio da manhã.
Onde comer em Beijing
A mais ocidentalizada de todas. Arquitetura moderna, skyline que deixa boquiaberto, Disney, vida noturna intensa e ainda uma vila antiga escondida a poucos quilômetros. Shanghai tem ritmo e personalidade próprios.
Onde comer em Shanghai
Das 8 cidades do roteiro, Shanghai foi a melhor para corridas longas — orla extensa, parques arborizados, segurança total. Fiz longões de 25km sem preocupação nenhuma. Se você corre, coloca isso na agenda.
A parada mais surpresa de todo o roteiro — e também a mais honesta de contar. Wangxian Valley (Shangrao City) é visualmente deslumbrante, mas o que a internet não te conta: era uma mina de granito abandonada que o governo transformou num parque temático há poucos anos. Não é uma vila histórica milenar. É um cenário construído para turismo — bonito, mas artificial. De dia tem cara de shopping ao ar livre com lojas e restaurantes por todo lado. A magia acontece mesmo à noite, quando as luzes acendem.
Dicas essenciais
- Lugar fora do radar — prepare-se para muito menos inglês por aqui
- Leve roupas adequadas para trilha e caminhada em penhascos
- A ponte de vidro pode ser intimidadora — vá avisado
Logística
- A logística pode ser mais complexa — pesquise com antecedência como chegar
- Perfeito para um ritmo mais lento após os dias intensos em Shanghai
Hong Kong de volta, desta vez com mais tempo para explorar. A cidade tem uma energia completamente diferente da China continental — mais cosmopolita, mais anglófona, mais cara.
Dicas essenciais
- Victoria Peak: vá no começo da manhã ou fim de tarde para a melhor luz
- Peak Tram: fila pode ser longa — compre ingresso antecipado com hora marcada
Destaques
- Temple Street Night Market: sábado à noite é o pico — vivo, caótico e divertido
- Lan Kwai Fong: a melhor área de bares e vida noturna de HK
- Apple em HK: preço competitivo e sem imposto — melhor lugar do roteiro para comprar eletrônicos Apple
Tivemos problema ao tentar comprar o ingresso da Disney HK diretamente com cartão brasileiro — recusa frequente. A solução foi comprar pelo Trip.com, que além de aceitar sem problema saiu até mais barato. Se for à Disney de Hong Kong, evite comprar direto no site oficial com cartão BR.
🎡 Comprar ingresso Disney HK no Trip.com →Onde comer em Hong Kong
A infraestrutura turística da China não é direcionada a ocidentais na maioria dos lugares. Os apps locais são em chinês, o cartão internacional frequentemente é recusado, e navegar por bilheterias sem falar a língua pode ser a parte mais estressante da viagem. Tours com guia valem muito — e a escolha de onde comprar faz toda a diferença.
Por que usamos o GetYourGuide
Preciso ser honesto sobre uma coisa: estou compartilhando esse link porque realmente fizemos os passeios por lá — não para ganhar likes ou comissão. Testei na prática e funcionou bem. Se não tivesse funcionado, não estaria aqui recomendando.
Planejar uma viagem para a China é incrível, mas tentar reservar os ingressos lá pode virar um verdadeiro pesadelo. Os aplicativos chineses são confusos para turistas e quase sempre recusam o cartão de crédito brasileiro. A nossa salvação para não perder tempo e fugir desse stress foi reservar tudo pelo GetYourGuide. É super seguro, o aplicativo é totalmente em português e o pagamento com cartão do Brasil funciona sem dor de cabeça.
Salva esse guia para ter o cupom na mão quando for montar o seu roteiro
Os passeios que fizemos e aprovamos
Esses são os passeios reais que contratamos — não sugestões genéricas. Cada um deles valeu o que pagamos. Os links abaixo vão direto para os passeios no app.
A maioria dos tours é conduzida em chinês. Ao comprar pelo GetYourGuide, filtre por tours em inglês ou especifique na hora da compra. O preço entre agências costuma ser bem uniforme — não tem golpe de preço.
Outras formas de reservar
- Trip.com — resolve tudo: voos, trens, hotéis e passeios. Bom para ingressos de parques específicos
- Klook — boa alternativa ao GetYourGuide para ingressos e tours pontuais
- Hotel — muitos têm funcionário dedicado a organizar atividades. Use e abuse, especialmente em Zhangjiajie e Guilin
- A maioria dos ingressos exige número de passaporte na compra — tenha em mãos
Reconhecimento facial
Em muitos parques e atrações, você só precisa do passaporte na entrada — depois disso, o acesso é feito 100% por reconhecimento facial. Nem precisa tirar o documento da bolsa no meio da fila.
A China é cara ou barata? A verdade honesta: este roteiro de 20 dias custa bem menos que o mesmo na Europa — mas não é o destino ultrabarganha que as pessoas imaginam. O voo dói, as atrações são salgadas, mas viver lá dentro é muito mais barato do que qualquer viagem ocidental equivalente.
Abaixo estão os meus gastos reais por categoria. A versão econômica foi mapeada durante o planejamento da viagem: quando eu ainda não tinha os gastos confirmados, estimei com base em pesquisa de preços, na minha experiência in loco e com apoio do ChatGPT e do Gemini para complementar onde não tinha dados precisos.
* Inclui passagem aérea (R$5.137 fixo). Referências: econômico 20 dias = R$13.024 · confortável 20 dias = R$20.930.
Perto de Nova York ou Paris, a China entrega muito mais por muito menos. O que você gastaria em 7 dias de Europa confortável paga 20 dias na China — com hotel bom, trem bala e restaurantes de verdade. A passagem é o investimento inicial. O restante da conta impressiona quem vem de qualquer destino ocidental.
Compras
A China é boa para compras em algumas categorias — mas não é o paraíso de preço que as pessoas imaginam. Depende muito do que você busca.
Fomos em 3 outlets — West Outlets Shopping Plaza, Florentia Village Chongqing e Sasseur Outlets / Liangjiang. Pra ser sincero? Não é barato como eu pensava. Marcas internacionais estão com preço de Brasil, às vezes mais caro. A exceção que valeu muito: marcas nacionais como ANTA — tênis de boa qualidade por um preço que faz sentido.
- Eletrônicos: lojas Xiaomi têm preços ótimos. Celular: compre versão Global (não a chinesa)
- Apple em Hong Kong — vale a pena comprar lá: preço competitivo e sem imposto. Se estiver planejando trocar de aparelho, considera deixar para comprar em HK
- C-Beauty: marcas de beleza chinesas vieram com tudo — vale explorar
- Pérolas e jade: ótimos presentes. Eu pechinchei colar de pérola customizado por ~R$200
- Ímã de geladeira: os mais bonitos e baratos que já vi. Entre R$6 e R$15 cada
- Feiras e lojinhas: pechincha sempre. Jogue o preço lá embaixo e negocie
- Não dispute uma vez que chegou a acordo com o vendedor
A China não é uma viagem fácil. Isso precisa ser dito. A língua é um desafio real, o Google não funciona, os apps são diferentes, o intestino precisa de adaptação e a distância é imensa.
Mas a China também é um país de uma riqueza cultural absurda, com paisagens que deixam sem palavras, culinária que surpreende a cada refeição, tecnologia que envergonha o ocidente e um ritmo de vida fascinante que não existe em lugar nenhum do mundo.
• Tem curiosidade genuína por culturas muito diferentes
• Se adapta bem a imprevistos e sabe rir dos perrengues
• Quer sair da bolha do turismo ocidental
• Aprecia natureza, história e comida exótica
• Está disposto a se preparar bem antes de ir
• Espera conforto europeu ou comunicação fácil
• Tem fobia severa de alturas (especialmente Zhangjiajie)
• Quer uma viagem relaxante e sem desafios logísticos
Se depois de ler esse guia você ainda está animado — e eu aposto que está — então a China está esperando por você. Boa viagem. ✈
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